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A autoexclusão diplomática da Europa: maior pagadora, nenhuma voz – Por que a UE está relegada a um papel secundário na guerra da Ucrânia?

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Publicado em: 15 de maio de 2026 / Atualizado em: 15 de maio de 2026 – Autor: Konrad Wolfenstein

A autoexclusão diplomática da Europa: maior pagadora, nenhuma voz – Por que a UE está relegada a um papel secundário na guerra da Ucrânia?

A autoexclusão diplomática da Europa: maior pagadora, nenhuma voz – Por que a UE está relegada a um papel secundário na guerra da Ucrânia – Imagem: Xpert.Digital

O duro balanço de Laschet: como a Europa se desvinculou de seus direitos diante de Putin

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A dura verdade sobre a guerra na Ucrânia: como o bloqueio autoimposto pela Europa está impedindo a paz

A União Europeia está pagando o preço mais alto no conflito ucraniano – contudo, quando se trata de negociações de paz concretas, Washington e Moscou ditam as regras do jogo. Armin Laschet resume sucintamente esse paradoxo com uma avaliação contundente: ele fala da "autoexclusão diplomática" da Europa. Em vez de defender seus próprios interesses com resolução estratégica e pragmatismo realista, a UE se perde em apelos morais e em um impasse institucional autoimposto. A consequência fatal: enquanto representantes empresariais americanos negociam diretamente com o Kremlin sobre o futuro do continente, a Europa foi relegada ao papel de mera espectadora. Mas como chegamos a esse ponto?

Esta análise abrangente lança luz sobre os erros históricos, o princípio da unanimidade paralisante em Bruxelas e mostra por que o alerta de figuras como Mario Draghi e Friedrich Merz exige agora reformas radicais. De uma "Europa a duas velocidades" ao rearme econômico maciço – está em jogo nada menos do que a questão de saber se a Europa atuará como uma potência mundial soberana no futuro ou se tornará um peão no jogo de interesses estrangeiros.

A autoexclusão diplomática da Europa – a análise de Laschet e as causas estruturais da impotência europeia

Quando o maior pagador se senta à mesa menor: como a Europa se excluiu do jogo no momento decisivo

Em 14 de maio de 2026 – dia em que o Prêmio Internacional Carlos Magno foi entregue em Aachen ao ex-presidente do BCE e primeiro-ministro italiano Mario Draghi – Armin Laschet, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Bundestag alemão e chefe da Diretoria do Prêmio Carlos Magno, dirigiu palavras duras à União Europeia. A Europa é tão fraca internacionalmente porque tende a moralizar em vez de buscar ativamente a diplomacia, explicou Laschet à Agência de Imprensa Alemã. O sintoma que mais o preocupava, disse ele, era que apenas empresários americanos estavam negociando entre a Rússia e a Ucrânia porque a UE se recusava a defender suas próprias posições de forma diplomática e enérgica em relação à Rússia – uma situação que ele descreveu como absurda e resumiu com o termo "autoexclusão da Europa".

À primeira vista, essa afirmação pode soar como retórica política, mas, após uma análise mais atenta, revela-se um diagnóstico preciso de um problema estrutural que se acumulou ao longo de anos e que agora se torna flagrantemente evidente no conflito ucraniano. Esta análise examina o que está por trás da crítica de Laschet, quais causas institucionais, históricas e geopolíticas subjazem ao fenômeno e quais abordagens de reforma estão sendo atualmente debatidas.

De financiador a espectador: o papel paradoxal da Europa na guerra da Ucrânia

Uma análise dos números brutos pode levar alguém a crer que a Europa é o ator decisivo no conflito ucraniano. Desde o início da guerra de agressão da Rússia, em fevereiro de 2022, a União Europeia e seus Estados-membros forneceram um total de mais de € 193 bilhões à Ucrânia – mais do que todos os outros apoiadores juntos. Em janeiro de 2026, a Comissão Europeia aprovou um pacote adicional de € 90 bilhões para 2026 e 2027, dos quais € 60 bilhões foram destinados à ajuda militar e € 30 bilhões ao apoio orçamentário. O Parlamento Europeu aprovou esse empréstimo por ampla maioria. Quatro milhões de refugiados ucranianos foram acolhidos, laços estreitos foram estabelecidos com a indústria bélica ucraniana e 20 pacotes de sanções contra a Rússia foram adotados.

No entanto, a Europa não está presente na mesa de negociações crucial. Quando os EUA e a Rússia elaboraram um plano de paz de 28 pontos no outono de 2025 sem a participação europeia – um plano que incluía, entre outras coisas, o veto russo à adesão da Ucrânia à OTAN, a limitação do exército ucraniano, amplas concessões territoriais e a devolução de ativos congelados do banco central russo – a UE reagiu com indignação e incompreensão. Os líderes europeus, juntamente com o presidente ucraniano Zelenskyy, desenvolveram posições que foram posteriormente transmitidas a Moscou por negociadores americanos, como Laschet já havia criticado em janeiro de 2026. Ele descreveu a situação como um jogo de "telefone sem fio" em uma transmissão da n-tv – tudo estava sendo tratado por meio de intermediários americanos, em vez de a Europa usar seus próprios canais diplomáticos com a Rússia.

O Instituto de Pesquisa da Paz de Frankfurt (PRIF) descreveu apropriadamente a situação em uma análise de março de 2026 com uma metáfora: a Europa estava "no cardápio" das negociações sobre a guerra na Ucrânia – os interesses europeus estavam sendo negociados, mas não com a Europa. Os europeus falharam, no momento crucial em que os EUA, sob a presidência de Trump, assumiram o papel de mediador de poder, em desenvolver uma abordagem diplomática coerente e em gerar vantagens econômicas e estratégicas para a negociação. Portanto, foram relegados à margem e forçados a assistir enquanto seus interesses eram negociados.

Moralizar como estratégia e seus custos em política externa

O diagnóstico de Laschet, de que a Europa moraliza em vez de diplomatizar, atinge um ponto crítico na política externa da UE. A União Europeia foi concebida como um projeto de paz e, ao longo de décadas, desenvolveu uma política externa normativa baseada na promoção da democracia, do Estado de direito, dos direitos humanos e das instituições multilaterais. Esses valores não estão errados — eles são o cerne do projeto europeu. O problema surge, no entanto, quando essa postura normativa se torna a única linguagem na qual a Europa se comunica com o mundo.

Grandes potências como a Rússia, a China ou os EUA sob a administração Trump falam uma língua diferente: interesses, poder, volume de comércio, ameaças e acordos bilaterais. Nesse contexto, o moralismo europeu muitas vezes parece impotente ou condescendente. A própria UE reconheceu essa fragilidade – já em 2003, a Estratégia Europeia de Segurança descrevia a União como um "ator inevitavelmente global" que deveria perseguir seus objetivos estratégicos de forma mais ativa. Contudo, desde então, existe uma lacuna significativa entre a aspiração e a realidade. Embora a UE tenha elaborado documentos estratégicos, não os implementa de maneira coerente e consistente.

O problema está estruturalmente enraizado: o chamado "método de Bruxelas" — a lógica de sempre resolver conflitos por meio de negociação, paciência e compromisso — provou ser bem-sucedido dentro da UE. No entanto, essa inclinação para o engajamento e o diálogo torna-se um obstáculo quando confrontada com potências revisionistas determinadas que buscam minar a unidade ocidental. A Rússia reconheceu isso e vem explorando estrategicamente a tendência da Europa à desescalada e ao diálogo há anos. A consequência é uma assimetria estrutural: enquanto a Rússia e os EUA articulam e perseguem interesses concretos, a UE formula listas de demandas e princípios sem respaldá-las com poder de negociação genuíno.

O princípio da unanimidade como uma paralisia institucional

Uma das principais razões para a fragilidade diplomática da Europa reside na sua própria arquitetura de tomada de decisões. A Política Externa e de Segurança Comum (PESC) opera com base no princípio da unanimidade: todos os 27 Estados-membros devem concordar com uma decisão – cada país detém, na prática, poder de veto. Na prática, isso significa que um único pequeno Estado ou um dissidente controlado pelo Estado, como a Hungria, pode paralisar toda a política externa da UE. O Ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul (CDU), citou um exemplo concreto no seu discurso de abertura na Fundação Konrad Adenauer, a 5 de maio de 2026: a resistência da Hungria, durante meses, ao empréstimo de 90 mil milhões de euros para a Ucrânia. Wadephul alertou que o princípio da unanimidade pode tornar-se uma ameaça existencial em questões de segurança, onde a vida e a morte estão em jogo.

O princípio tem sua justificativa histórica. Foi introduzido para envolver todos os Estados-membros – incluindo os menores – em questões de política de segurança e para proteger seus interesses. No entanto, em um mundo em rápida transformação, esse princípio está se tornando cada vez mais um obstáculo. Embora a UE tenha introduzido as chamadas cláusulas de passerela com o Tratado de Lisboa, que permitiriam a transição da unanimidade para a votação por maioria qualificada em certas áreas, essas cláusulas nunca foram utilizadas – outro sintoma do impasse institucional autoimposto. Para piorar a situação, mesmo a abolição do princípio da unanimidade exige unanimidade – um dilema clássico.

A proposta de Wadephul de substituir o princípio da unanimidade na política externa e de segurança pela votação por maioria qualificada não é, portanto, nova, mas está sendo apresentada agora com renovada urgência. Para que haja maioria qualificada na UE, pelo menos 55% dos Estados-Membros (ou seja, 15 de 27) devem concordar, representando pelo menos 65% da população da UE. Esse sistema permitiria decisões mais rápidas sem ignorar completamente os Estados-Membros menores. Além de Wadephul, a Alta Representante da UE, Kaja Kallas, também apoia essa abordagem de reforma. Diversos governos alemães – de Annalena Baerbock a Heiko Maas – fizeram reivindicações semelhantes, até agora sem sucesso.

Uma Europa a duas velocidades: solução ou nova divisão?

Como forma de superar o impasse institucional, Laschet, Wadephul e agora também o Chanceler Merz defendem o conceito de uma "Europa a duas velocidades". O princípio básico: um grupo menor de Estados dispostos a agir assume a liderança caso não se chegue a um acordo entre os 27 membros. Aqueles que não querem — ou não podem — participar não devem ter permissão para obstruir os que desejam avançar. Laschet afirmou que considera já ter passado da hora de estender esse mecanismo à política externa e de segurança comum. Ao fazê-lo, apoiou explicitamente a iniciativa de Wadephul.

O conceito não é de forma alguma revolucionário. Já existe na prática da UE: nem todos os países usam o euro, nem todos fazem parte do Espaço Schengen, e o quadro de defesa PESCO (Cooperação Estruturada Permanente) já permite uma integração militar diferenciada. O Ministro das Finanças alemão, Lars Klingbeil, retomou a ideia em fevereiro de 2026 e propôs a formação de um grupo central de seis Estados economicamente fortes – Alemanha, França, Espanha, Itália, Polônia e Holanda – que deveriam avançar mais rapidamente em áreas-chave. Wadephul afirmou que, por iniciativa da Alemanha, doze Estados-membros da UE já se manifestaram em busca de tais mudanças.

Até mesmo o próprio laureado com o Prêmio Carlos Magno, Draghi, afirmou, durante o anúncio do prêmio em Roma, que era irrealista supor que todos os 27 Estados-membros pudessem sempre agir em perfeita sintonia em todas as questões – particularmente em política externa e de segurança. No entanto, isso não significa, de forma alguma, um atraso para o projeto europeu; se um grupo menor assume a liderança de forma convincente, cria um efeito de atração, e outros seguem o exemplo – o euro é um exemplo disso. Os críticos, por outro lado, alertam para a crescente fragmentação da UE e o aprofundamento das diferenças entre o Leste e o Oeste, bem como entre os países mais ricos e os menos desenvolvidos. O perigo de uma UE de duas velocidades é real e não deve ser subestimado.

 

Centro de Segurança e Defesa - Assessoria e Informação

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O Centro de Segurança e Defesa oferece aconselhamento especializado e informações atualizadas para apoiar eficazmente empresas e organizações no reforço do seu papel na política europeia de segurança e defesa. Trabalhando em estreita colaboração com o Grupo de Trabalho de Defesa da SME Connect, promove particularmente as pequenas e médias empresas (PME) que desejam desenvolver ainda mais a sua capacidade de inovação e competitividade no setor da defesa. Como ponto de contacto central, o Centro cria, assim, uma ponte crucial entre as PME e a estratégia europeia de defesa.

Relacionado a isto:

  • Grupo de Trabalho de Defesa da SME Connect – Fortalecendo as PMEs na Defesa Europeia

 

Draghi, Merz e a lacuna na política externa da UE: três caminhos para sair da impotência

Por que a UE rompeu relações com a Rússia – e qual foi o custo disso

Para compreender plenamente a crítica de Laschet, é preciso considerar o contexto histórico. Após o ataque russo à Ucrânia em fevereiro de 2022, a UE praticamente congelou seus contatos diplomáticos com a Rússia. Essa decisão foi moralmente justificável e politicamente coerente: a UE não queria legitimar um agressor por meio de relações diplomáticas normais. No entanto, isso teve um alto preço estratégico: a Europa, na prática, se retirou da equação.

Enquanto a Europa rompia relações com Moscou, os EUA, sob a presidência de Trump, desenvolveram uma nova arquitetura de negociação direta. Enviados especiais como Steve Witkoff — na verdade, um incorporador imobiliário do círculo íntimo de Trump — tornaram-se figuras-chave na diplomacia ucraniana. Os líderes europeus elaboravam posições em conjunto com Zelenskyy, que eram então transmitidas a Moscou por esses negociadores americanos. O sistema funcionava como um jogo de telefone sem fio: o que começava em Kiev como uma posição europeia podia chegar a Moscou distorcido ou enfraquecido. A influência da Europa sobre o conteúdo e a direção das negociações era estruturalmente limitada.

A própria UE tentou recuperar sua influência. A Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, declarou em fevereiro de 2026 que, se os EUA não exigissem concessões dos russos, caberia aos europeus fazê-lo; Moscou e Washington precisavam entender que os europeus eram essenciais para uma paz duradoura. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, enfatizou repetidamente que nada sobre a Europa seria decidido sem a participação da Europa. No entanto, essas garantias contradiziam a realidade: os europeus estiveram inicialmente ausentes das negociações diretas cruciais entre representantes americanos e russos – por exemplo, em Genebra, em novembro de 2025. Posteriormente, tentaram influenciar a estrutura definida pelos EUA e modificar os pontos mais problemáticos –, mas essa é uma diplomacia reativa, não proativa.

Resultados da pesquisa: O que os cidadãos desejam e o que eles vivenciam

As deficiências descritas estão agora a ter um impacto dramático na perceção pública. Um inquérito representativo realizado pela infratest dimap em nome da Fundação Prémio Carlos Magno e apresentado no Fórum do Prémio Carlos Magno em Aachen, a 13 de maio de 2026, revela uma discrepância chocante. Enquanto em 2024 uns impressionantes 72% dos alemães estavam convencidos de que a UE oferece proteção e estabilidade em tempos incertos, em 2026 esse número tinha caído para apenas 48%. O declínio foi particularmente drástico na Alemanha Oriental: apenas 38% dos alemães orientais consideram a UE um fator de proteção, em comparação com 50% na Alemanha Ocidental.

Ao mesmo tempo, o desejo por uma Europa forte permanece inabalável: 82% dos alemães acreditam que a Alemanha precisa de uma UE forte para se opor a grandes potências como a Rússia, a China e os EUA. Laschet comentou essa discrepância, afirmando que as pessoas querem uma União Europeia forte, mas aparentemente não sentem essa força o suficiente no dia a dia e em momentos de crise. Essa tensão entre desejo e realidade é politicamente explosiva: alimenta populistas e nacionalistas que argumentam que a Europa é o problema, não a solução.

Esses dados são economicamente significativos. A confiança nas instituições europeias não é apenas um barômetro da opinião pública – ela influencia a disposição dos cidadãos em apoiar projetos europeus, aceitar transferências de recursos e abrir mão de poderes nacionais. Se essa confiança diminuir, a base política para uma maior integração se estreita. Uma UE percebida como impotente terá mais dificuldade em garantir a margem de manobra necessária para evitar essa impotência – um clássico ciclo vicioso.

O alerta de Draghi: a força econômica como base de todo o resto do poder

Nesse contexto, a escolha de Mario Draghi como laureado com o Prêmio Carlos Magno em 2026 está longe de ser acidental. A Direção do Prêmio Carlos Magno enviou um sinal deliberado, como o próprio Laschet explicou: a premiação de Draghi foi um sinal para a Comissão de que o ritmo da União Europeia não acompanha o ritmo do mundo em que a Europa precisa competir. Em 2024, Draghi publicou um relatório monumental sobre a competitividade europeia, considerado um alerta e um roteiro concreto para reformas. O diagnóstico foi contundente: a Europa está ficando para trás em muitas áreas, especialmente em comparação com os EUA e a China; suas fragilidades estão aumentando.

A Direção do Prémio Carlos Magno concordou com esta avaliação: a situação era dramática e a Europa corria o risco de se tornar um peão nas mãos de outras potências. A mensagem de Draghi em Aachen era que a Europa estava atualmente demasiado dependente de outros países; uma das razões para isso era o facto de o mercado único europeu ainda não estar verdadeiramente completo, uma vez que a igualdade de condições estava a ser prejudicada pelos subsídios nacionais. A solução, argumentava ele, residia em reformas para criar uma área económica verdadeiramente integrada: quanto mais a Europa se reformasse, menos teria de se endividar.

Essa dimensão econômica é crucial. O poder diplomático e militar, a longo prazo, está enraizado na força econômica. Uma Europa que fica para trás dos EUA e da China na corrida tecnológica, que não superou sua dependência energética e cujo mercado de capitais permanece fragmentado, também perderá influência na política externa. O Relatório Draghi, com seus apelos por uma integração mais profunda do mercado de capitais, uma política industrial comum e investimentos em tecnologias-chave estratégicas, é, portanto, não apenas um documento de política econômica, mas também geopolítica. A capacidade econômica de ação é o pré-requisito para a credibilidade da política externa — sem ela, a política externa europeia permanece um apelo moral sem qualquer poder real.

Merz e o apelo por uma Europa como potência

Na cerimônia de entrega do Prêmio Carlos Magno, o chanceler Friedrich Merz uniu as demandas de política econômica e de segurança em uma visão coerente. A Europa se propôs a se tornar uma potência – uma potência capaz de resistir às tempestades desta nova era, afirmou Merz em Aachen. Especificamente, ele defendeu uma modernização fundamental do orçamento da UE, com foco na força militar e econômica, uma estrutura simplificada e investimentos em competitividade e defesa. Ao mesmo tempo, rejeitou claramente uma nova dívida conjunta: a Alemanha não poderia seguir esse caminho, mesmo que apenas por razões constitucionais.

Merz articulou, portanto, uma mudança paradigmática na política alemã em relação à Europa: deixando de lado a expectativa de que a Alemanha agiria com a maior discrição possível e manteria a Europa unida por meio da redistribuição financeira, e adotando uma postura na qual a Alemanha define com segurança os interesses europeus e mobiliza recursos para persegui-los. A soberania da Europa, argumentava ele, só poderia ser assegurada por meio de políticas econômicas e de segurança robustas, e para isso, o orçamento da UE precisava ser reestruturado. Nesse ponto, Merz concordava plenamente com o apelo de Laschet por maior força diplomática e com a agenda de reformas de Wadephul para abolir o princípio da unanimidade: os três representam uma tentativa de superar o autoimposto enfraquecimento da Europa.

O que falta estruturalmente à política externa europeia

Um diagnóstico honesto deve apontar as deficiências institucionais. As responsabilidades em matéria de política externa na UE estão distribuídas por várias instituições: o Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE), o Alto Representante para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, o Conselho Europeu, a Comissão Europeia e o Conselho da União Europeia. Esta fragmentação leva a responsabilidades pouco claras, rivalidades interinstitucionais e mensagens externas incoerentes. Wadephul defendeu, portanto, a consolidação das responsabilidades em matéria de política externa em Bruxelas. Além disso, existe uma carência de uma estrutura do Conselho de Segurança Europeu que possa tomar decisões estratégicas de forma rápida e confidencial.

Outro problema estrutural é a tendência da UE de agir de forma reativa em vez de proativa em tempos de crise. A UE rompeu relações com a Rússia após a invasão de 2022 sem desenvolver uma estratégia diplomática alternativa. Reagiu ao plano de 28 pontos dos EUA e da Rússia em vez de estabelecer a sua própria estrutura. Formula posições em relação a Zelenskyy, mas permite que negociadores americanos as representem. Em todos esses casos, a Europa age como seguidora, não como iniciadora. Isso não se deve à falta de talento ou recursos, mas sim à falta de mecanismos institucionais para ação estratégica e diplomática sob pressão de tempo.

A autonomia estratégica da Europa – um conceito que a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, declarou ser um objetivo central do seu mandato – permanece uma aspiração enquanto faltarem os pré-requisitos estruturais. Estes incluem: capacidades militares próprias capazes de operar independentemente da infraestrutura dos EUA; mecanismos de tomada de decisão ágeis em matéria de política externa; uma representação externa unificada; e a vontade política de assumir posições, mesmo que desconfortáveis, face aos rivais.

A questão crucial: a crítica de Laschet é justificada?

O diagnóstico de Laschet é preciso em sua essência, mas requer nuances. Seria injusto negar à UE qualquer iniciativa diplomática. A Comissão implementou 20 pacotes de sanções contra a Rússia, o que, considerando o princípio da unanimidade e a postura pró-Rússia de alguns Estados-membros, representa uma conquista política considerável. Von der Leyen e Kallas assumiram uma posição pública clara e formularam linhas vermelhas para uma paz aceitável. A UE mobilizou mais de 193 bilhões de euros – uma quantia que não teria sido arrecadada sem uma considerável vontade institucional.

A crítica de Laschet, contudo, se mostra válida na questão da diplomacia direta com a Rússia. A decisão de cortar todos os canais de comunicação com Moscou pode ter sido moralmente coerente, mas foi estrategicamente míope. Sem seus próprios canais de comunicação, a UE não pode apresentar diretamente suas posições, enviar sinais ou explorar margem de manobra. Ela fica permanentemente dependente de intermediários — sejam eles os EUA ou outros terceiros. Isso não é uma política externa soberana, mas sim uma dependência que nasce da adesão a princípios. A própria Kaja Kallas pareceu reconhecer essa lacuna quando declarou que, se os EUA não exigissem concessões da Rússia, caberia aos europeus fazê-lo — mas, sem um canal direto de comunicação, essa exigência permanece abstrata.

O cientista político Johannes Varwick também apresentou um contra-argumento incômodo: a interferência europeia na diplomacia ucraniana poderia, na verdade, prolongar a guerra em vez de encurtá-la. Essa visão é impopular, mas não deixa de ser significativa. Ela destaca que o problema da Europa não é apenas a falta de assertividade, mas também a falta de clareza sobre o que a UE realmente quer e a que concessões está disposta a fazer. Uma Europa diplomaticamente forte não deve apenas fazer exigências claras, mas também ser capaz de negociar compromissos inteligentes – e isso requer uma disposição para negociar que até agora tem sido ofuscada pela exigência da plena implementação dos princípios europeus.

Três maneiras de sair da autoexclusão

A análise revela três caminhos de reforma complementares que devem ser seguidos cumulativamente, e não alternadamente.

O primeiro caminho é a reforma institucional: abandonar o princípio da unanimidade na política externa e de segurança em favor de maiorias qualificadas, consolidar as responsabilidades em matéria de política externa e fortalecer o Serviço Europeu para a Ação Externa como uma unidade eficaz. Este caminho de reforma é urgente, mas politicamente o mais difícil de implementar, porque exige unanimidade para abolir a unanimidade.

O segundo caminho é o conceito de integração diferenciada: um grupo central de Estados dispostos a agir avança em questões de política externa e de segurança sem ser impedido por membros que representam obstáculos. Essa abordagem é mais pragmática e utiliza as estruturas de tratados existentes. No entanto, acarreta o risco de uma divisão permanente da UE em um anel interno e um anel externo.

O terceiro caminho é o fortalecimento econômico: a conclusão do mercado único, o aprofundamento da União dos Mercados de Capitais, a redução dos subsídios nacionais, a aquisição conjunta de armamentos e a garantia de cadeias de abastecimento de matérias-primas estratégicas. Este caminho é o mais longo, mas, em certo sentido, também o mais fundamental: sem força econômica, a política externa europeia continua sendo um apelo sem substância. O relatório de Draghi oferece o plano mais detalhado e convincente para isso.

O termo "autodesempoderamento" cunhado por Laschet talvez seja a expressão mais adequada no atual debate europeu. Ele deixa claro que a fragilidade da política externa europeia não é obra do destino, nem resultado de potências externas hostis, mas sim consequência de suas próprias decisões, estruturas e omissões. A Europa se desempoderou — por meio de um autobloqueio institucional, do rompimento de canais diplomáticos e da priorização da moralização em detrimento da negociação. A boa notícia é: o que é autoinfligido também pode ser reparado. A má notícia: o tempo está se esgotando.

 

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