Macron e as garantias de segurança para a Ucrânia: a coligação dos dispostos e a posição da Alemanha
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Prefira a Xpert.Digital no GoogleⓘPublicado em: 5 de setembro de 2025 / Atualizado em: 5 de setembro de 2025 – Autor: Konrad Wolfenstein

Macron e as garantias de segurança para a Ucrânia: a coligação dos dispostos e a posição da Alemanha – Imagem: Xpert.Digital
Um novo exército europeu para a Ucrânia? O anúncio bombástico de Macron divide o Ocidente
### Tropas terrestres para a Ucrânia: Por que o chanceler Merz está freando o plano de Macron ### "Telefonema acalorado" com Trump: Como o plano europeu para a Ucrânia irrita os EUA ### Escalada após a guerra? Por que os soldados europeus podem em breve se tornar "alvos legítimos" ###
Uma nova era: como a "coligação dos dispostos" de Macron está agora a desafiar a NATO
Um anúncio bombástico vindo de Paris colocou a arquitetura de segurança europeia à prova: após uma cúpula em 4 de setembro de 2025, o presidente francês Emmanuel Macron anunciou a formação de uma "coalizão de voluntários", na qual 26 países concordaram em enviar tropas para a Ucrânia. Essa iniciativa visa garantir a paz após um possível fim da guerra e é uma resposta direta à mudança no cenário geopolítico sob a reeleição do presidente dos EUA, Donald Trump. O plano prevê não o envio de tropas de combate para a linha de frente, mas sim o estacionamento de forças de paz em áreas definidas para salvaguardar a soberania da Ucrânia e enviar um sinal estratégico claro a Moscou.
Mas essa busca pela autossuficiência europeia revela profundas divisões no Ocidente. Enquanto Macron pressiona por uma defesa europeia forte e independente dos EUA, a Alemanha, sob a liderança do chanceler Friedrich Merz, reage com contenção estratégica. Berlim estabelece condições claras para a participação: primeiro, o financiamento e o armamento do exército ucraniano devem ser ampliados, e o envolvimento alemão depende significativamente do papel dos EUA e do resultado das negociações.
A situação se complica ainda mais pela postura das potências externas. Em uma conversa telefônica descrita como "acalorada", o presidente dos EUA, Trump, acusou os europeus de continuarem a abastecer os cofres de guerra da Rússia por meio de acordos petrolíferos e exigiu maiores contribuições deles. Ao mesmo tempo, o Kremlin respondeu com ameaças inequívocas: qualquer presença de tropas estrangeiras na Ucrânia seria considerada um alvo legítimo e destruída. Essa iniciativa levanta, portanto, questões fundamentais: trata-se do início de uma verdadeira união de defesa europeia ou de uma manobra de alto risco? Tal operação pode ter sucesso sob a ótica do direito internacional e do ponto de vista militar sem o apoio irrestrito de Washington? E qual será o papel da Alemanha neste momento crucial para o futuro do continente?
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O que está por trás do anúncio de Emmanuel Macron de que 26 países estão prontos para enviar tropas à Ucrânia para garantir a paz?
Esta mensagem de 4 de setembro de 2025 marca uma importante virada na política de segurança europeia e, simultaneamente, levanta questões fundamentais sobre o futuro das relações transatlânticas.
O surgimento da Coalizão dos Dispostos
Qual é o contexto desta iniciativa e por que ela surgiu agora?
A chamada Coalizão dos Dispostos, composta por aproximadamente 35 estados predominantemente europeus, reuniu-se em Paris em 4 de setembro de 2025 para discutir garantias de segurança para a Ucrânia após um possível fim da guerra. Essa reunião não foi apenas uma resposta ao conflito militar em curso, mas também uma réplica estratégica à mudança de postura dos Estados Unidos sob a presidência de Donald Trump.
Quais são os objetivos específicos desta coligação? Segundo Macron, 26 países comprometeram-se formalmente a estacionar tropas na Ucrânia como apoio, ou a manter uma presença em terra, no mar ou no ar para fortalecer a Ucrânia após o fim da guerra e garantir a paz. Esta força não se destina a travar guerra contra a Rússia, mas sim a garantir a paz e a enviar um sinal estratégico claro. As tropas seriam destacadas no âmbito de um cessar-fogo, não na linha da frente, mas em áreas geográficas que estão atualmente a ser definidas.
Quais são os fundamentos legais e de direito internacional que sustentam tais missões? Missões de manutenção da paz de qualquer tipo não estão explicitamente previstas na Carta da ONU. O Conselho de Segurança das Nações Unidas tem a responsabilidade primordial pela manutenção da paz e da segurança internacionais. Se as missões de manutenção da paz envolverem medidas militares, elas estarão em conformidade com o direito internacional somente se o Conselho de Segurança da ONU tiver concedido à respectiva organização um mandato correspondente. Além disso, um princípio fundamental das missões de manutenção da paz é que as partes em conflito, ou pelo menos o governo do Estado afetado, devem consentir com o destacamento.
A posição da Alemanha e o papel de Friedrich Merz
Como a Alemanha se posiciona nessa iniciativa?
A postura da Alemanha é caracterizada por contenção e cautela estratégica. O chanceler Friedrich Merz, que participou da conferência por videoconferência, enfatizou, por meio de seu porta-voz Stefan Kornelius, que o foco inicial deve ser o financiamento, o armamento e o treinamento das forças armadas ucranianas. A Alemanha tornou-se o parceiro mais importante de Kiev nesse esforço e está preparada para ampliar essa assistência.
Quais são as condições específicas que a Alemanha estabelece para uma possível participação? A Alemanha decidirá sobre o envolvimento militar oportunamente, assim que as condições gerais forem esclarecidas. Isso inclui, entre outras coisas, a natureza e o alcance de qualquer envolvimento dos EUA, bem como o resultado de qualquer processo de negociação. Stefan Kornelius também destacou que o Bundestag tem a palavra final sobre qualquer mobilização da Bundeswehr. Essa exigência constitucional reforça o controle democrático sobre as mobilizações da Bundeswehr no exterior.
O que significa a nomeação de Stefan Kornelius como porta-voz do governo para esta política? Stefan Kornelius, que atua como porta-voz do governo e chefe do Gabinete de Imprensa Federal desde maio de 2025, traz consigo vasta experiência em política externa. O ex-chefe da seção política do Süddeutsche Zeitung é considerado extremamente bem relacionado e é membro de diversos centros de estudos de política externa e de segurança. Essa experiência é de considerável importância para os complexos desafios da atual política de segurança.
Como exatamente a Alemanha planeja apoiar a Ucrânia? Segundo relatos da mídia, o governo alemão planeja aumentar o número e a eficácia dos sistemas de defesa aérea da Ucrânia em 20% ao ano. Além disso, a Ucrânia será equipada com armas de precisão de longo alcance, como mísseis de cruzeiro, que serão fabricados no país com apoio financeiro e tecnológico da Alemanha, entre outros. Adicionalmente, a Ucrânia receberá equipamentos para quatro brigadas de infantaria mecanizada, o que representaria aproximadamente 480 veículos de infantaria por ano.
O papel dos Estados Unidos e a posição de Trump
Qual o papel dos EUA nesta iniciativa europeia?
A participação dos EUA continua sendo um fator crítico para o sucesso das garantias de segurança. Macron anunciou após a reunião que a forma da contribuição americana para essas garantias seria definida nos próximos dias. Após a reunião, houve uma chamada em grupo com o presidente dos EUA, Donald Trump, que resultou em discussões acaloradas.
O que Trump criticou na postura europeia? Durante a ligação telefônica, Trump acusou os europeus de continuarem importando petróleo da Rússia, apesar de sua oposição ao país, apoiando assim os esforços de guerra de Putin. Ele exigiu o fim dos acordos petrolíferos e mais pressão sobre a China. Reportagens da mídia descreveram a ligação telefônica com os europeus como acalorada.
Quais são as expectativas de Trump em relação à Europa? Trump deixou claro repetidamente que a Europa deve desempenhar um papel maior em sua própria defesa. Os países membros da OTAN já concordaram em aumentar seus gastos com defesa para 5% do seu Produto Interno Bruto (PIB). Essa exigência de Trump reflete seu argumento de longa data de que os contribuintes europeus não devem mais arcar, principalmente com os custos da segurança da Europa, com os impostos dos contribuintes americanos.
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Adequado para:
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A posição e a resistência da Rússia
Como a Rússia está reagindo a esses planos?
A liderança russa rejeita categoricamente qualquer forma de presença de tropas ocidentais na Ucrânia. O chefe do Kremlin, Vladimir Putin, declarou no Fórum Econômico de Vladivostok que um acordo de paz de longo prazo não exigiria tropas estrangeiras na Ucrânia. Ele ameaçou que, se quaisquer forças armadas aparecessem, especialmente durante os combates em curso, seriam consideradas alvos legítimos e destruídas.
Qual a justificativa de Moscou para a rejeição? O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, explicou a rejeição reiterada afirmando que a presença de forças armadas estrangeiras perto da fronteira russa representa uma ameaça para Moscou. A OTAN considera a Rússia um inimigo e consagrou isso em seus documentos. A ministra das Relações Exteriores da Rússia, Maria Sakharova, também descreveu os planos como uma garantia de insegurança para o continente europeu.
Quais são as principais preocupações de segurança da Rússia? A Rússia argumenta que as discussões sobre garantias de segurança não podem se limitar à Ucrânia; a Rússia também precisa de garantias para sua própria segurança. A posição russa é que a guerra contra a Ucrânia tem suas raízes na expansão da OTAN para as fronteiras da Rússia. A segurança da Ucrânia não deve ser garantida às custas da Rússia.
Quadro jurídico internacional e garantias de segurança
Quais instrumentos legais estão disponíveis para garantias de segurança?
A UE possui sua própria cláusula de assistência mútua no Artigo 42, parágrafo 7 do Tratado da UE, que é ainda mais rigorosa que o Artigo 5 do Tratado da OTAN. Essa cláusula estipula que, em caso de ataque armado ao território de um Estado-membro, os demais Estados-membros devem prestar toda a assistência e apoio ao seu alcance. Diferentemente da cláusula de assistência mútua da OTAN, que deixa a decisão sobre o tipo e a extensão da assistência a cargo de cada Estado, o regulamento da UE contém uma obrigação mais concreta de fornecer ajuda.
Como funcionam na prática as garantias de segurança da OTAN? O Artigo 5º do Tratado da OTAN estipula que um ataque armado contra um membro é considerado um ataque contra todos. No entanto, este artigo não cria um direito legal à assistência e ao apoio militar. A invocação do Artigo 5º do Tratado da OTAN não é automática, e os Estados-membros da OTAN decidem por consenso, exercendo considerável discricionariedade política. Um parceiro da OTAN atacado não tem o direito legal de exigir a invocação do Artigo 5º.
Quais são as alternativas à adesão à OTAN? A adesão da Ucrânia à UE ativaria automaticamente a cláusula de defesa mútua da UE, que especialistas consideram ainda mais vinculativa do que as garantias da OTAN. A Ucrânia já é um país candidato à UE e está em negociações de adesão desde junho de 2024. A adesão à UE proporcionaria à Ucrânia uma garantia de segurança militar sem tornar a adesão à OTAN obrigatória.
A Europa está repensando sua abordagem: missão de treinamento em vez de força de paz na Ucrânia
Quais são os desafios práticos enfrentados por uma missão de paz?
Segundo fontes militares, a presença de tropas de países europeus da OTAN na Ucrânia seria concebida principalmente como uma missão de treinamento em larga escala. Não se trataria de uma força de paz no sentido tradicional. Os membros europeus da OTAN assumiriam a principal responsabilidade por tal missão. O número exato de tropas mobilizadas e suas tarefas específicas ainda não estão claros.
O que isso significa para a política de defesa europeia? A iniciativa representa um passo significativo para fortalecer a autonomia europeia na política de segurança. Dada a incerteza em torno do papel dos Estados Unidos sob o governo Trump, os Estados europeus são chamados a expandir suas capacidades de defesa. Os Estados-membros da OTAN já decidiram aumentar seus gastos com defesa para 5% do PIB, um aumento sem precedentes desde a Guerra Fria.
Qual o papel do alargamento da UE neste contexto? A Ucrânia está a passar por um processo acelerado de adesão à UE, apesar da guerra em curso. Um dos principais objetivos de integração da Ucrânia para 2025 é o início de negociações paralelas em todos os grupos de adesão à UE. As conversações bilaterais de avaliação em quatro dos seis pacotes de negociação já foram concluídas. A adesão à UE garantiria automaticamente à Ucrânia a cláusula de assistência mútua da UE.
Coligação dos Dispostos: O Caminho da Europa para a Independência da Política de Segurança
Que fatores determinarão o sucesso desta iniciativa?
O sucesso da coalizão de países dispostos depende de vários fatores críticos: a forma específica que a participação americana assume, a disposição dos países participantes em efetivamente fornecer tropas e recursos e a evolução da situação militar na Ucrânia. Sem uma participação substancial dos EUA, particularmente em áreas como vigilância e reconhecimento do espaço aéreo, o efeito dissuasor contra a Rússia provavelmente permanecerá limitado.
Quais são as implicações a longo prazo para as relações transatlânticas? A iniciativa europeia para uma maior autorresponsabilidade na política de segurança pode levar a uma reformulação fundamental das relações transatlânticas. Embora Trump esteja a pressionar a Europa para uma maior autossuficiência, os europeus estão cada vez mais a aceitar este desafio. A longo prazo, isto poderá conduzir a uma parceria mais equilibrada, mas também mais complexa, entre a Europa e os EUA.
Que significado isso tem para a futura ordem de paz na Europa? A iniciativa dos 26 países representa uma tentativa de estabelecer uma nova ordem de paz na Europa que seja menos dependente da liderança americana. Ao mesmo tempo, sinaliza à Rússia que a Europa está preparada para assumir a responsabilidade por sua própria segurança. O sucesso dessa estratégia depende, em última análise, da capacidade de criar garantias de segurança credíveis que dissuadam a Rússia e proporcionem à Ucrânia a segurança necessária para alcançar paz e estabilidade a longo prazo.
Os desenvolvimentos em torno da Coligação dos Dispostos marcam, portanto, um potencial ponto de viragem na arquitetura de segurança europeia, cujos efeitos a longo prazo deverão tornar-se evidentes apenas nos próximos anos.
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