
Emirados Árabes Unidos, Catar, Arábia Saudita: De cliente a concorrente – Como os Estados do Golfo estão revolucionando a indústria armamentista – Imagem: Xpert.Digital
Lições da Guerra Irã-Iraque: Por que a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos agora estão construindo suas próprias armas
Fim da dependência: como uma nova potência global em armamentos está emergindo no Golfo Pérsico
Um choque bilionário para o Ocidente? O plano secreto de armamento de alta tecnologia dos estados do deserto
Durante décadas, os petrodólares dos estados do Golfo fluíram de forma confiável para os cofres dos fabricantes de armas ocidentais – mas essa era está chegando ao fim. Impulsionados por novos choques geopolíticos, como a escalada do conflito com o Irã em 2026, e pela amarga constatação de que a dependência cega os torna estrategicamente vulneráveis em uma crise, a Arábia Saudita, o Catar e os Emirados Árabes Unidos estão passando por uma mudança radical de rumo. Eles estão se transformando rapidamente de grandes e lucrativos clientes em produtores independentes. Com investimentos bilionários, grandes joint ventures e empresas de alta tecnologia como o Grupo EDGE dos Emirados Árabes Unidos, as monarquias petrolíferas estão construindo sua própria indústria de defesa de ponta. Essa transformação não apenas garante sua soberania militar, mas também desestabiliza fundamentalmente todo o mercado global de armas.
Emirados Árabes Unidos, Catar, Arábia Saudita: um novo gigante do armamento está surgindo no Golfo
De grande cliente a produtor: a mudança estratégica nos Estados do Golfo
Durante décadas, as monarquias petrolíferas do Golfo Pérsico têm sido alguns dos principais clientes da indústria armamentista ocidental. Com sua riqueza, acumulada em petrodólares, elas financiam uma parcela excepcional do comércio global de armas. De acordo com dados do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (SIPRI), a Arábia Saudita e o Catar estiveram entre os quatro maiores importadores de armas do mundo entre 2021 e 2025, representando 6,8% e 6,4%, respectivamente, das importações globais de armas. Os Emirados Árabes Unidos ficaram em décimo primeiro lugar, com 2,7%. Cumulativamente, os países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) absorvem, portanto, uma parcela significativa do mercado global de armas – financiado pelas receitas do petróleo bruto e do gás natural.
Mas esse cenário está mudando fundamentalmente. As dinastias governantes do Golfo reconheceram que a dependência pura das importações as torna estrategicamente vulneráveis: gargalos no abastecimento, condições políticas impostas pelas autoridades ocidentais de controle de exportações e a experiência chocante de não serem informadas com antecedência em uma crise aumentaram significativamente a motivação para a produção interna. A guerra com o Irã, que atingiu um novo nível de escalada em fevereiro de 2026 com ataques aéreos americano-israelenses contra instalações de mísseis e defesa aérea iranianas em cidades como Isfahan, Karaj e Kermanshah, trouxe essa constatação à tona de forma brutal. Os estados do Golfo que abrigam bases militares americanas tornaram-se imediatamente alvos de mísseis e drones iranianos, mesmo sem estarem diretamente envolvidos nos ataques.
Entre dois mundos: a dependência contínua e seus limites estruturais
Por mais determinado que pareça o caminho rumo à autopropulsão, a realidade é mais complexa. Os estados do Golfo estão adquirindo mais armas do que nunca. Em maio de 2025, durante uma visita do presidente dos EUA, Donald Trump, a Arábia Saudita concluiu um acordo de armas no valor de quase US$ 142 bilhões – o maior acordo de cooperação em defesa da história dos EUA, segundo a Casa Branca. Esse pacote inclui capacidades da força aérea, defesa antimíssil, segurança marítima e costeira e sistemas de comunicação. Em 2024, os Emirados Árabes Unidos garantiram US$ 1,2 bilhão em mísseis guiados de precisão, seguidos por aprovações para helicópteros CH-47F e contratos de manutenção de F-16 no valor de mais de US$ 1 bilhão.
Esse aparente paradoxo se resolve quando se consideram, com sobriedade, as limitações estruturais do desenvolvimento bélico regional. Analistas estratégicos concordam: caças de quinta geração como o F-35, tecnologia avançada para tanques ou grandes navios de guerra não poderão ser produzidos internamente pelos países do Golfo em um futuro próximo. O preço unitário de um F-35 gira em torno de US$ 100 milhões, e seu ecossistema industrial compreende centenas de fornecedores nos setores aeroespacial, eletrônico e de ciência dos materiais, construído ao longo de décadas. Na prática, os esforços para a produção nacional estão, portanto, concentrados em drones, munições de precisão, eletrônica e logística — áreas onde a entrada é mais rápida e onde o setor privado é relativamente acessível.
Arábia Saudita e a aritmética da ambição da Visão 2030
A Arábia Saudita está empenhada em atingir a meta de quantificação mais ambiciosa da região. Como parte de sua agenda Visão 2030, o Reino estabeleceu o objetivo de localizar pelo menos 50% de seus gastos com defesa internamente até o final da década. A Administração Geral das Indústrias Militares (GAMI) relata uma taxa de localização de 24,89% para 2024. Isso significa que a Arábia Saudita precisa mais que dobrar sua participação nacional em poucos anos. Dados os enormes valores iniciais, este é um desafio extraordinário – a Arábia Saudita gastou cerca de US$ 75,8 bilhões em defesa em 2024, com uma meta de US$ 78 bilhões para 2025, representando aproximadamente 21% dos gastos governamentais e 7,1% do PIB.
A Saudi Arabian Military Industries (SAMI), estatal fundada em 2017 como subsidiária integral do Fundo de Investimento Público, é o instrumento para a implementação dessa agenda. Inicialmente limitada à produção de peças de reposição para caças americanos e alguns tipos de veículos blindados, a SAMI está expandindo constantemente sua atuação industrial. A empresa mantém joint ventures com a corporação americana Boeing, o estaleiro espanhol Navantia – de onde se originou o sistema de gerenciamento de combate HAZEM Lite – e diversos outros parceiros internacionais. Em julho de 2024, a SAMI assinou três memorandos de entendimento com empresas turcas para a localização de indústrias de defesa: com a Baykar para o desenvolvimento de sistemas de drones, com a Aselsan para eletrônica de defesa e com a Fergani Space para tecnologias espaciais emergentes.
A participação da SAMI no Salão Aeronáutico de Paris, em junho de 2025, focou-se inteiramente na manutenção, reparo e revisão (MRO) de aeronaves militares, bem como em discussões sobre joint ventures e transferência de tecnologia com fabricantes internacionais de equipamentos originais (OEMs). A meta da empresa de contribuir com 14 bilhões de riais (US$ 3,7 bilhões) para a economia saudita, investir 6 bilhões de riais em pesquisa e desenvolvimento e criar 40.000 empregos permanece ambiciosa. Ao mesmo tempo, especialistas alertam para a necessidade de cautela: o acordo de US$ 142 bilhões demonstra que, apesar de suas metas de nacionalização, Riad continua dependendo fortemente da importação de armas estrangeiras – e que tais anúncios historicamente costumam ser exagerados.
O caminho singular, modesto, porém determinado, do Catar
O Catar desempenha um papel distinto, embora menor, nessa corrida regional. A Barzan Holdings, fundada em 2016 como uma porta de entrada comercial para a indústria de defesa catariana, se vê como uma facilitadora: a empresa fortalece as capacidades militares das forças armadas do Catar por meio de parcerias com empresas líderes internacionais do setor de defesa, facilitando a transferência de tecnologia e desenvolvendo tecnologias inovadoras de defesa e segurança. Seu foco está em munições, sistemas de defesa contra drones, armas portáteis e — cada vez mais — inteligência artificial, capacidades autônomas e defesa cibernética.
A Barzan colabora deliberadamente com a indústria. A cooperação com a fabricante italiana de armas Beretta para a produção local de armas leves, bem como as parcerias para serviços de manutenção e revisão, exemplificam essa abordagem pragmática. De acordo com análises do setor, a Barzan está priorizando inteligência artificial militar, defesa cibernética, guerra eletrônica e sistemas soberanos de comando e controle para 2026 – áreas que não exigem infraestrutura de produção massiva, mas possuem alto valor estratégico. Em janeiro, o Grupo EDGE assinou um acordo de joint venture com a Barzan e licenciou sua tecnologia veicular – um sinal de que os países do Golfo estão cooperando cada vez mais entre si, em vez de dependerem exclusivamente de parceiros ocidentais.
Os Emirados Árabes Unidos e o fenômeno EDGE: como uma empresa de armamentos surgiu em seis anos
A dinâmica tem sido mais acentuada nos Emirados Árabes Unidos. A criação do Grupo EDGE em novembro de 2019, por meio da fusão de aproximadamente 25 empresas emiratis, representou uma mudança radical na política industrial. Em apenas seis anos, a EDGE expandiu seu portfólio de produtos de 30 para 201 soluções avançadas nas áreas aérea, terrestre, marítima e cibernética – um crescimento de mais de 550%. A força de trabalho agora é composta por 14.000 funcionários, com uma presença emiradense em toda a organização de 20%, chegando a 50% nos departamentos de engenharia.
O que torna esses números particularmente notáveis é que a EDGE não é uma empresa que produz exclusivamente para o mercado interno. Em 2024, o grupo gerou uma receita de US$ 4,9 bilhões, dos quais mais de 20% vieram de exportações. Em setembro de 2024, os pedidos internacionais aumentaram de US$ 18,5 milhões em 2019 para mais de US$ 2,1 bilhões. Em abril de 2026, a EDGE reportou novos pedidos totalizando US$ 7,96 bilhões e uma carteira de pedidos acumulada de US$ 20,4 bilhões. Os produtos e serviços do grupo agora chegam a clientes em 91 países. De acordo com o SIPRI, a participação dos Emirados Árabes Unidos nas importações globais de armas caiu para 2,7% entre 2021 e 2025, em comparação com 3,5% entre 2016 e 2020 – o aumento da produção interna está tornando algumas importações obsoletas.
Centro de Segurança e Defesa - Assessoria e Informação
O Centro de Segurança e Defesa oferece aconselhamento especializado e informações atualizadas para apoiar eficazmente empresas e organizações no reforço do seu papel na política europeia de segurança e defesa. Trabalhando em estreita colaboração com o Grupo de Trabalho de Defesa da SME Connect, promove particularmente as pequenas e médias empresas (PME) que desejam desenvolver ainda mais a sua capacidade de inovação e competitividade no setor da defesa. Como ponto de contacto central, o Centro cria, assim, uma ponte crucial entre as PME e a estratégia europeia de defesa.
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Drones autônomos, joint ventures, testes de guerra: EDGE como motor da indústria de defesa dos Emirados Árabes Unidos
Alianças estratégicas em vez de autarquia industrial: a rede de parcerias da EDGE
A inteligência estratégica da EDGE reside não na tentativa de produção interna universal, mas na identificação precisa de áreas onde a soberania tecnológica ou a segurança da cadeia de suprimentos são críticas. Para outras áreas, a empresa se baseia em parcerias industriais sólidas com empresas líderes do Ocidente. O resultado é uma rede de 23 joint ventures e alianças que abrangem todos os domínios – ar, terra, mar, espaço e ciberespaço.
Um destaque é a parceria com a empresa italiana de aeroespacial e defesa Leonardo, com quem a EDGE assinou inicialmente uma carta de intenções em junho de 2025 e deu um passo significativamente mais concreto para o estabelecimento de uma joint venture em Abu Dhabi, durante o Dubai Airshow, em novembro de 2025. A EDGE detém 51% das ações e a Leonardo, 49%. A joint venture abrangerá o projeto, desenvolvimento, testes, industrialização, produção, vendas e suporte ao ciclo de vida de sistemas nas áreas de sensores, integração de sistemas e plataformas – para o mercado de drones e mercados de exportação selecionados. Na construção naval, a EDGE estabeleceu a joint venture Maestral com a Fincantieri, líder global de mercado italiana. A Maestral concentra-se na defesa naval em escala global e oferece projeto, construção e suporte técnico para navios de guerra de última geração. Como prova de sua crescente capacidade de exportação, a EDGE garantiu um contrato de aproximadamente um bilhão de euros para o fornecimento de corvetas à Marinha Angolana.
No campo da defesa aérea, a parceria entre a HALCON, subsidiária da EDGE, e a Rheinmetall Air Defence, da Suíça, é particularmente reveladora. A HALCON desenvolveu o sistema de mísseis terra-ar SkyKnight, que foi integrado como componente ao sistema de defesa aérea Oerlikon Skynex da Rheinmetall – o primeiro míssil terra-ar desenvolvido e fabricado nos Emirados Árabes Unidos. O fato de a EDGE atuar não apenas como cliente, mas também como fornecedora de uma empresa líder em defesa da OTAN, ilustra o nível de integração vertical já alcançado pelo grupo.
Sistemas autônomos como motor de crescimento: a aventura da Anduril
Talvez a colaboração mais simbólica até o momento seja a joint venture estabelecida em novembro de 2025 no Dubai Airshow com a empresa americana de tecnologia de defesa Anduril Industries, considerada uma concorrente emergente do Vale do Silício no setor de defesa dos EUA. A nova Aliança de Produção EDGE-Anduril visa transformar Abu Dhabi em um polo de produção e sustentabilidade para sistemas autônomos no Oriente Médio.
O primeiro produto conjunto é o Omen, um sistema de drone híbrido-elétrico do Grupo 3, capaz de decolagem e pouso vertical, mas que opera horizontalmente como uma aeronave de asa fixa – eliminando, assim, a necessidade de uma pista de pouso. Ele está conectado à plataforma Lattice da Anduril, baseada em inteligência artificial, permitindo que múltiplos drones troquem dados em tempo real, expandam a rede de sensores para abordagens marítimas e terrestres e gerem uma visão compartilhada da situação. A EDGE está investindo aproximadamente US$ 200 milhões em infraestrutura de fabricação em Abu Dhabi; os Emirados Árabes Unidos já encomendaram 50 sistemas. A produção em larga escala está prevista para começar até o final de 2028. Simultaneamente, a Anduril está estabelecendo um centro regional de 4.645 metros quadrados para engenharia, design e prototipagem em Abu Dhabi – sua primeira operação no Oriente Médio.
O batismo de fogo: como a guerra com o Irã se tornou um campo de testes para as armas dos Emirados Árabes Unidos
A guerra com o Irã conferiu à estratégia industrial dos estados do Golfo uma dimensão operacional dramática. Os Emirados Árabes Unidos foram atacados com muito mais frequência por drones e mísseis iranianos do que a Arábia Saudita ou o Catar – uma consequência direta de sua proximidade com bases militares americanas, como Al Dhafra. Ao mesmo tempo, esses ataques se tornaram o primeiro teste real em combate da tecnologia de defesa dos Emirados.
Segundo dados oficiais, aproximadamente 80% dos drones Shahed iranianos que se aproximavam foram interceptados pelos sistemas dos Emirados Árabes Unidos. Os sistemas de guerra eletrônica da EDGE foram ativados para detectar mísseis e drones, iniciar medidas de interferência e realizar manobras de distração – em estreita cooperação com os sistemas de defesa antimíssil americanos. Para Hamad al-Marar, CEO da EDGE, o valor estratégico dessa experiência é inestimável: a tecnologia da empresa foi testada e validada em combate real – um selo de qualidade praticamente inigualável no mercado global de armamentos.
Ao mesmo tempo, a guerra expôs fragilidades no crescimento. Os carregamentos retidos no Estreito de Ormuz, bloqueado, estão inevitavelmente atrasando os planos de produção. E a experiência dos EUA de não informarem seus parceiros do Golfo com antecedência sobre a Operação Epic Fury, mesmo sendo evidente que seriam alvos prioritários de ataques retaliatórios iranianos, abalou fundamentalmente os cálculos estratégicos das monarquias. Vários estados do Golfo iniciaram revisões internas para determinar se as cláusulas de força maior em contratos existentes podem ser invocadas e para reconsiderar seus compromissos de investimento atuais e futuros.
Geopolítica da Dependência: Por que a Soberania em Armamentos Está se Tornando uma Questão de Sobrevivência
Os eventos recentes estão convergindo para uma mensagem estratégica clara: as garantias de segurança externa — por mais importantes que continuem sendo — não oferecem proteção completa contra o impacto devastador dos conflitos regionais. Os Estados do Golfo que dependem exclusivamente de cadeias de suprimentos e forças armadas estrangeiras enfrentam um dilema estrutural. Por um lado, os governos ocidentais podem restringir ou atrasar a entrega de armas por razões políticas. Por outro lado, o conflito recente demonstrou que os interesses estratégicos dos Estados Unidos nem sempre estão alinhados com os dos países anfitriões.
Nesse contexto, a decisão dos Estados do Golfo de desenvolver suas próprias indústrias de defesa surge como uma resposta racional a uma situação global estruturalmente incerta. Em 2025, os países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) gastaram coletivamente mais de US$ 100 bilhões em defesa, figurando entre os países com os maiores gastos militares do mundo em relação ao seu PIB. O gasto médio com defesa dos Estados do Golfo gira em torno de 4% do PIB, o dobro do gasto da maioria dos países da OTAN. Essa base de recursos cria a margem financeira para ambições de política industrial que seriam impensáveis em outros lugares.
Além disso, há a constatação de que uma base de defesa nacional significa muito mais do que mera produção de armamentos. Implica na formação de capital humano em profissões de engenharia, na atração de investimento estrangeiro direto por meio de parcerias tecnológicas, na diversificação de economias dominadas por hidrocarbonetos e na geração de receitas de exportação em novos mercados. A EDGE já exporta quase três quartos de sua produção para a América Latina, África e Ásia – desenvolvendo sistematicamente mercados que os concorrentes ocidentais negligenciaram por muito tempo.
Entre cooperação e competição: o novo campo gravitacional da indústria global de armamentos
A ascensão das empresas de armamento do Golfo também está mudando a geometria do comércio global de armas. As empresas de armamento ocidentais enfrentam uma decisão: ou cooperam e aceitam a transferência de tecnologia e a realocação da produção, ou correm o risco de perder participação de mercado para novos concorrentes regionais a longo prazo. A estratégia de parceria da EDGE, Leonardo, Fincantieri, Rheinmetall e Anduril demonstra que as corporações ocidentais estão dispostas a firmar novas parcerias, desde que sua liderança tecnológica e o controle sobre a propriedade intelectual sejam preservados.
Ao mesmo tempo, surge um novo nível de competição: não apenas o Sul e o Leste da Ásia, mas cada vez mais o próprio Golfo Pérsico está se consolidando como exportador de tecnologia de defesa. A aquisição, pela EDGE, de participações majoritárias na MILREM Robotics, da Estônia (líder mundial na fabricação de robôs terrestres militares), na empresa suíça de drones ANAVIA e em empresas brasileiras de defesa marca uma nova fase qualitativa: os países do Golfo não estão mais investindo apenas em linhas de produção, mas também em propriedade intelectual, capacidade de engenharia e posicionamento de mercado em todos os continentes.
A questão que cada vez mais preocupa os analistas não é mais se o Golfo desenvolverá sua própria indústria bélica independente – isso já está acontecendo. A questão central é até que ponto essa indústria chegará na cadeia de valor global e se o complexo bélico transatlântico está preparado para aceitar os novos atores emergentes como parceiros em pé de igualdade. Considerando carteiras de encomendas na casa das dezenas de bilhões, testes de combate de classe mundial e uma rede bem definida de alianças e desenvolvimentos internos, há muitos indícios de que a era do comprador passivo de armas no Golfo chegou definitivamente ao fim – e um novo capítulo da soberania militar industrial teve início.
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Chefe de Desenvolvimento de Negócios
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