As lições da crise: a logística como fator-chave
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Publicado em: 22 de dezembro de 2020 / Atualizado em: 9 de fevereiro de 2021 – Autor: Konrad Wolfenstein
Desafios para empresas de manufatura – Sete medidas imediatas

Lições aprendidas com a crise: a logística como fator-chave – Imagem: Production Perig|Shutterstock.com
A pandemia da COVID-19 está colocando à prova as principais indústrias da Alemanha: como a engenharia mecânica, a indústria automotiva e outros setores podem se tornar mais resilientes a crises futuras? Muitas alavancas para a mudança podem ser encontradas na logística. Nesse setor, a automação e a digitalização podem contribuir de forma crucial para a estabilidade e a resiliência das empresas manufatureiras.
Em um cenário econômico global já fragilizado, surge uma crise global que ameaça paralisar a produção e as cadeias de suprimentos: cenários semelhantes aos da pandemia de coronavírus eram antes conhecidos apenas por meio de simulações de estresse. Desde março, esses testes se tornaram realidade, fornecendo às empresas manufatureiras informações valiosas sobre seus pontos fortes e fracos. Como a pandemia ainda não acabou e crises similares podem ocorrer no futuro, é hora de desenvolver planos de ação para evitar interrupções na produção e no fornecimento decorrentes de crises.
A pandemia de coronavírus evidencia a necessidade de ação na área da logística.
A pandemia da COVID-19 está inevitavelmente acelerando a transformação digital, particularmente em setores-chave — aqueles de imensa importância econômica devido à sua capacidade de inovação, tamanho e interconexões com outras indústrias. A logística está na vanguarda dessa mudança: embora muitas empresas tenham reduzido a produção, a logística precisa manter as cadeias de suprimentos e o fluxo de mercadorias. Enquanto novos modelos de trabalho, como o trabalho remoto e as reuniões virtuais, se tornaram comuns em outros setores, a cadeia de suprimentos continua a enfrentar dificuldades com a digitalização. Simplesmente não há tempo suficiente para adaptar todas as capacidades e estoques aos novos desafios. Isso é ainda mais significativo considerando a mudança no comportamento do consumidor, como evidenciado pela escassez temporária de diversos itens, como papel higiênico, luvas descartáveis e desinfetantes. A interconexão entre pedidos, planejamento, produção e entrega foi interrompida.

Lições aprendidas com a crise: a logística como fator-chave – Imagem: Production Perig|Shutterstock.com
O desafio: preparar-se para novas situações com antecedência.
Consequentemente, muitas empresas precisam otimizar os processos ao longo de suas cadeias de suprimentos – a cadeia de suprimentos deve ser projetada para ser mais proativa e digital. A pandemia revelou que a transformação digital ainda está em seus primórdios, especialmente para pequenas e médias empresas (PMEs). O perigo é que as grandes empresas continuem a expandir sua participação de mercado enquanto outras ficam para trás. Isso ocorre porque os "grandes players" possuem redes melhores e estão mais avançados na digitalização. No entanto, seria um erro fatal concluir que as PMEs inevitavelmente se saem pior do que as grandes corporações em situações de crise. O fator decisivo não é o tamanho da empresa, mas o tempo: é crucial ser capaz de se adaptar às mudanças o mais rápido possível. Para muitas, especialmente as PMEs, isso significa modernizar, tornar-se mais flexível e, assim, estabilizar suas operações. Ao fazer isso, o foco deve estar nas infraestruturas digitais e logísticas que são indispensáveis para os setores-chave.
Sete medidas imediatas
Contudo, isso não significa que as empresas não tenham opções até que os legisladores criem os pré-requisitos infraestruturais para uma transformação digital abrangente. Pelo contrário, as PMEs podem e devem impulsionar uma rápida transição para operações mais automatizadas e digitalizadas. Além disso, é essencial examinar e otimizar a estrutura da logística da própria empresa. Vale a pena considerar sete cenários possíveis a esse respeito.
1. Acelerar a automação de armazéns.
O armazém precisa fechar devido a infecções por COVID-19 – e agora? Muitas empresas nem precisam considerar esse cenário, pois seus centros de distribuição são totalmente automatizados, tornando-os mais eficientes, flexíveis e resilientes. Os provedores de logística devem, portanto, aproveitar a situação atual como uma oportunidade para aumentar gradualmente o nível de automação em seus armazéns. O objetivo a longo prazo deve ser a automação completa. No Japão, isso já é uma realidade em muitos lugares, por exemplo, no grupo de moda Fast Retailing, que planeja equipar todos os seus armazéns no mundo com robôs e inteligência artificial e já implementou isso na região metropolitana de Tóquio.
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2. Aumentar os Níveis de Estoque
Antes da pandemia, a entrega just-in-time era considerada ideal para o fornecimento de mercadorias. A vantagem: a entrega precisa à linha de montagem permite que as empresas de manufatura minimizem seus custos de armazenagem, já que não há necessidade de estocar peças. No entanto, como as entregas frequentemente atrasam ou não se concretizam, como tem acontecido muitas vezes nos últimos meses, a falta de estoque leva a perdas de produção. Para reduzir o risco de futuras interrupções na produção, as empresas devem manter estoques maiores de componentes críticos e de uso frequente.
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3. Relocalização ou retorno da produção para o país de origem:
À medida que as cadeias de suprimentos globais se recuperam lentamente, os fabricantes estão reavaliando seus processos. Muitos estão considerando a relocalização, ou seja, a realocação de parte de sua produção de volta para seus países de origem. Isso se aplica não apenas à indústria farmacêutica, mas também, por exemplo, à engenharia mecânica, que foi severamente impactada pela pandemia. Além disso, muitas empresas expandirão suas capacidades de produção em mercados-alvo importantes para evitar interrupções devido a lacunas na cadeia de suprimentos e para garantir o fornecimento a seus clientes. Um estudo recente do McKinsey Global Institute (MGI) (Risco, resiliência e reequilíbrio nas cadeias de valor globais) prevê que até um quarto das cadeias de suprimentos globais poderá ser realocado para outros países nos próximos cinco anos.
4. Ampliação da Capacidade de Armazenamento:
Para alguns setores da logística, a pandemia causou sobrecarga total, enquanto a demanda despencou em outros. Como resultado, alguns fornecedores ficaram com mercadorias encalhadas, enquanto outros não tinham estoque suficiente. Para evitar situações de falta de estoque e excesso de capacidade, sistemas de TI inteligentes que permitam a previsão da demanda são essenciais. Muitas empresas já estão ampliando sua capacidade de armazenamento dessa forma; todas as outras devem aproveitar as incertezas dos últimos meses como uma oportunidade para aprimorar seu planejamento de demanda.
5. Pequenos centros de distribuição descentralizados (hubs):
Grandes centros de distribuição estão ultrapassados. Em vez disso, a tendência crescente é a utilização de vários pequenos centros de distribuição satélite, os chamados hubs ou microhubs, localizados perto dos clientes. As vantagens são óbvias: uma cadeia de suprimentos mais estável, maior velocidade e flexibilidade para lidar com flutuações nos prazos de entrega. Outro aspecto interessante é o gerenciamento de devoluções, que muitas vezes representa um custo significativo para os fornecedores: em um projeto atual da Corporação de Desenvolvimento Econômico de Mönchengladbach (WFMG), o chamado "Fashion Micro Hub", os clientes podem retirar no local as roupas que encomendaram online, experimentá-las e devolvê-las diretamente caso não sirvam ou não gostem.
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6. Foco no Comércio Eletrônico
De acordo com um relatório publicado pela Adobe no verão de 2020 na Forbes (Forbes: COVID-19 acelerou o crescimento do comércio eletrônico em '4 a 6 anos'), a pandemia da COVID-19 está acelerando o crescimento do comércio eletrônico em quatro a seis anos. O enorme aumento na importância desse setor apresenta grandes desafios para a logística: armazéns e centros de distribuição precisam ser expandidos e adaptados para a separação automatizada de itens individuais. O gerenciamento rápido e flexível de pedidos individuais, especialmente na forma de separação totalmente automatizada de caixas fracionadas, se tornará uma competência essencial em intralogística para muitos setores no futuro.
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7. Eficiência Energética:
Quem incorporar este aspecto ao seu planejamento verá resultados a médio prazo. Vale a pena observar o exemplo da gigante do comércio eletrônico Amazon, que já equipou 50 de seus centros de distribuição em todo o mundo com painéis solares – há cerca de cinco anos, não havia nenhum. Recursos também podem ser economizados em outras áreas, por exemplo, utilizando soluções de transporte reutilizáveis: substituir embalagens descartáveis por caixas reutilizáveis, duráveis e recicláveis, que podem ser usadas por até dez anos, reduz drasticamente o desperdício de embalagens e os custos de descarte.
Adequado para:
- Neutralidade de CO2 com energia fotovoltaica – Aprendendo com a logística da Amazon
- DAIFUKU: Logística verde – medidas individuais não eficazes
A pandemia do coronavírus está nos obrigando a repensar nossa abordagem.

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