
Tecnologia civil, aplicações militares: eis por que Karlsruhe é um dos principais centros do boom da dupla utilização – Imagem: Xpert.Digital
Quando o sensor é usado para defesa: É assim que a indústria alemã se beneficia enormemente do boom de "dupla utilização"
Civil ou defesa? Por que a indústria alemã está passando pelo seu maior realinhamento estratégico?
Distantes dos principais debates públicos, a produção civil e a tecnologia relevante para a segurança estão se fundindo cada vez mais. Um novo "Atlas de Dupla Utilização", da Prognos AG e do Handelsblatt, documenta pela primeira vez a enorme escala desse desenvolvimento: cerca de 3,5 milhões de pessoas na Alemanha trabalham em setores cujos produtos – de sensores simples a softwares complexos – podem ser usados tanto para fins civis quanto militares. Enquanto os setores econômicos tradicionais sofrem pressão para se transformar, a chamada economia da segurança está se tornando uma nova força motriz na política industrial. O estudo abrangente não apenas mostra como essa transformação silenciosa está afetando todo o país, mas também revela vencedores regionais surpreendentes. Polos tecnológicos como Karlsruhe estão se tornando, repentinamente, o centro de uma nova potência econômica estratégica. Continue lendo para descobrir por que o obstáculo de hoje é a infraestrutura de segurança de amanhã – e como o cenário econômico alemão está passando por mudanças irreversíveis.
O armamento silencioso da indústria civil alemã: quando a chave inglesa se torna parte da defesa, quer queiramos quer não
A Alemanha está passando por um realinhamento da política industrial cuja importância dificilmente pode ser exagerada, embora ainda seja subestimada no debate público. O novo Atlas de Dupla Utilização da Prognos AG, desenvolvido em cooperação com o Handelsblatt, fornece, pela primeira vez, um levantamento abrangente e metodologicamente sólido dos setores econômicos cujos produtos, tecnologias e conhecimentos podem ser utilizados tanto para fins civis quanto militares ou relacionados à segurança. O resultado é mais do que uma simples nota acadêmica: cerca de 3,5 milhões de pessoas estão empregadas em setores que são fundamentalmente capazes de produzir bens de dupla utilização, representando quase metade de todo o emprego industrial na Alemanha. Mais de 43% da produção industrial alemã já consiste em tais bens, que vão desde componentes de drones e peças de robótica até sistemas de comunicação via satélite. Esses números ilustram que a fronteira entre a criação de valor civil e a produção relevante para a segurança já se dissolveu há muito tempo em grande parte da indústria alemã, sem que esse fato tenha ainda sido assimilado pelo discurso mais amplo da política econômica.
A importância desse desenvolvimento não pode ser vista isoladamente, mas deve ser compreendida no contexto de uma arquitetura de segurança global em transformação. Após décadas em que a política industrial alemã se concentrou principalmente nos mercados de exportação para o setor civil, na eficiência de custos e nas cadeias de suprimentos globais, a questão da resiliência estratégica agora assume o protagonismo. O atlas revela que essa resiliência não precisa ser construída do zero, mas já está amplamente presente, embora distribuída de forma desigual pela Alemanha e cuja importância econômica ainda não tenha sido avaliada sistematicamente.
O mapeamento de uma estrutura econômica oculta
A abordagem metodológica do estudo Prognos é notavelmente detalhada, porém consistentemente padronizada. Seu ponto de partida é a Lista de Bens de Dupla Utilização da UE, um conjunto abrangente de regras com mais de duzentas páginas, que registra sistematicamente produtos com dupla utilização e é regulamentado pelo Regulamento Delegado da União Europeia. A Prognos decifrou essa lista de bens e, por meio de várias etapas intermediárias, a vinculou às classificações oficiais das estatísticas econômicas alemãs, começando com os grupos de mercadorias nas estatísticas de comércio exterior, passando pelas estatísticas de produção e, finalmente, chegando à classificação dos setores econômicos. O resultado dessa integração é uma estimativa confiável da proporção de empregos em cada setor econômico que pode ser classificada como de dupla utilização.
Foram analisados 19 setores da indústria de transformação e de tecnologias da informação e comunicação, enquanto serviços a montante e a jusante, como logística ou partes das indústrias culturais e criativas, foram excluídos devido à disponibilidade de dados. O ponto de referência espacial não foram os 401 distritos urbanos e rurais, mas sim os 79 distritos das Câmaras de Indústria e Comércio, uma vez que estes representam áreas econômicas e de emprego funcionais que se estendem para além das fronteiras administrativas e fornecem um quadro de referência familiar para as empresas. O cálculo baseia-se nos empregados sujeitos a contribuições para a segurança social em 30 de junho de 2025, recolhidos numa análise especial da Agência Federal do Emprego. É importante salientar que o atlas não é explicitamente um instrumento de medição da produção real de armamento, mas sim um indicador potencial que mostra onde já existem pré-requisitos tecnológicos e industriais para a expansão da produção relevante para a segurança, sem resultar necessariamente em novas encomendas, receitas ou modelos de negócio.
Duas figuras-chave, um panorama geral da relevância econômica
Para tornar tangível a importância regional do uso misto (duplo uso), o estudo utiliza dois indicadores complementares. A participação regional descreve o quanto a estrutura econômica de uma região está voltada para indústrias de uso misto, ou seja, qual a proporção do emprego total regional que essas indústrias representam. A participação alemã, por outro lado, mede a contribuição de uma única região para o potencial geral de emprego em uso misto na Alemanha, mostrando assim o peso que uma localidade tem dentro da estrutura nacional. Um índice aritmético não ponderado é calculado a partir de ambos os indicadores e normalizado em uma escala de zero a cem, com as dez regiões de maior pontuação formando o nível superior.
Essa perspectiva dupla é crucial porque valores elevados em ambas as dimensões não coincidem necessariamente. Algumas regiões ostentam volumes absolutos de emprego enormes e, portanto, moldam significativamente o panorama nacional, mesmo que o desenvolvimento de uso duplo não seja particularmente dominante em suas economias amplamente diversificadas. Por outro lado, outras regiões são comparativamente pequenas, mas exibem um grau tão elevado de especialização em setores relevantes para o uso duplo que sua identidade econômica é praticamente inseparável dessa conexão. Somente a interação dessas duas métricas revela quais localidades realmente pertencem aos centros que definem estruturalmente a nova economia de segurança.
Sul, Oeste, Leste, Norte: Quatro faces da base de segurança industrial
A distribuição regional do potencial de dupla utilização segue padrões reconhecíveis que refletem os pontos fortes industriais tradicionais de cada região, mas os apresentam sob uma nova perspectiva de política de segurança. O sul da Alemanha, particularmente as áreas em torno de Stuttgart, Munique e Nuremberg, forma o núcleo industrial, onde a engenharia mecânica, a engenharia automotiva, a tecnologia aeroespacial e a eletrônica estão se fundindo cada vez mais com as tecnologias digitais. Além dessas áreas metropolitanas, o sul também apresenta um potencial significativo de desenvolvimento, que se estende muito além das regiões emblemáticas já conhecidas.
A região oeste do país, caracterizada pelas áreas econômicas ao longo dos rios Reno e Ruhr, bem como na Vestfália, concentra-se principalmente em massa e volume. Nessa região, uma ampla base industrial com altos índices de emprego em toda a cadeia de valor contribui para o potencial nacional de dupla utilização, desde indústrias de materiais básicos até engenharia mecânica e serviços industriais. A Alemanha Oriental, por outro lado, destaca-se menos pela massa e mais por clusters altamente especializados: regiões como Dresden, Chemnitz e o leste da Turíngia combinam estruturas industriais tradicionais com tecnologia de ponta, por exemplo, em óptica ou microeletrônica, o que torna esses locais particularmente atraentes para a futura economia de segurança. Por fim, o norte caracteriza-se por indústrias-chave concentradas, em vez de uma força generalizada, com centros como Hamburgo, Bremen, Kiel e o sudeste da Baixa Saxônia, onde a engenharia automotiva, a tecnologia aeroespacial e as tecnologias de segurança marítima são de particular importância. Vale destacar também que o estudo revela diversas surpresas além das áreas metropolitanas mais conhecidas: regiões com forte tradição industrial, mas com menor visibilidade em âmbito nacional, possuem pontos de contato relevantes e pouco notados com a economia de dupla utilização.
Karlsruhe como um exemplo subestimado de excelência em economia da segurança
Nesse contexto nacional, a região da Câmara de Indústria e Comércio de Karlsruhe ocupa uma posição surpreendente, considerando sua percepção pública como um polo tecnológico discreto. No Índice Nacional de Dupla Utilização, a região ocupa a oitava posição entre os 79 distritos da Câmara de Indústria e Comércio, figurando entre os dez principais locais da Alemanha. Em relação à participação regional, ou seja, o quanto sua estrutura econômica está voltada para o emprego de dupla utilização, Karlsruhe ocupa a décima primeira posição nacional, com 49,5%. Isso significa que praticamente metade dos empregos industriais na região está relacionada a tecnologias de segurança. Em termos de participação nacional, que mede a contribuição para o emprego de dupla utilização no total na Alemanha, a região alcança o 14º lugar, com 1,8%, demonstrando que Karlsruhe não é apenas altamente especializada regionalmente, mas também um local de grande importância em escala nacional.
A região da Câmara de Indústria e Comércio de Karlsruhe é uma das mais fortes em termos de uso misto na Alemanha:
- Classificada em 11º lugar na participação regional de empregos com capacidade de dupla utilização (49,5%)
- Classificada em 14º lugar em termos de participação da Alemanha (1,8%)
- Classificado em 8º lugar no índice nacional de uso duplo
Essa combinação de alta especialização e tamanho significativo faz de Karlsruhe um dos poucos locais na Alemanha que apresenta desempenho excepcional em ambas as áreas. O núcleo econômico subjacente a essa força reside na combinação de produção industrial tradicional e expertise em sistemas digitais, típica do sudoeste da Alemanha. Karlsruhe é considerada há muito tempo uma das principais regiões de pesquisa tecnológica da Europa, caracterizada por uma estreita integração entre tecnologia da informação, engenharia mecânica, engenharia elétrica e pesquisa aplicada. Essa combinação de expertise em hardware e conhecimento em software/TIC está se tornando uma vantagem competitiva decisiva na nova economia da segurança, pois tecnologias modernas de dupla utilização, como sensores, robótica em rede e sistemas de comunicação via satélite, estão surgindo precisamente nessa interface.
Centro de Segurança e Defesa - Assessoria e Informação
O Centro de Segurança e Defesa oferece aconselhamento especializado e informações atualizadas para apoiar eficazmente empresas e organizações no reforço do seu papel na política europeia de segurança e defesa. Trabalhando em estreita colaboração com o Grupo de Trabalho de Defesa da SME Connect, promove particularmente as pequenas e médias empresas (PME) que desejam desenvolver ainda mais a sua capacidade de inovação e competitividade no setor da defesa. Como ponto de contacto central, o Centro cria, assim, uma ponte crucial entre as PME e a estratégia europeia de defesa.
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Para compreender plenamente a importância das conclusões de Karlsruhe, vale a pena examinar a lógica industrial subjacente ao Atlas de Dupla Utilização. Em todo o país, o maior potencial de emprego no setor de dupla utilização concentra-se em engenharia mecânica, engenharia elétrica, engenharia automotiva e tecnologias de informação e comunicação. Esses setores combinam áreas-chave de especialização, como tecnologia de sensores, software, automação, robótica, tecnologia de comunicação e tecnologias de propulsão, que servem simultaneamente como base tecnológica para inúmeras outras cadeias de valor. Assim, eles formam a verdadeira espinha dorsal da economia alemã de dupla utilização, e as regiões onde vários desses setores estão fortemente representados se beneficiam de um efeito sinérgico que supera a soma dos pontos fortes de cada setor individualmente.
Esse efeito sinérgico parece estar em ação em Karlsruhe. A região não possui uma única indústria dominante de dupla utilização, mas sim um ecossistema onde a expertise em manufatura industrial encontra a integração de sistemas digitais. Um sensor usado para controle de qualidade em uma planta industrial pode ter a mesma arquitetura básica que um sensor para auxílio em desastres, proteção de infraestrutura crítica ou um sistema de reconhecimento militar. Essa interoperabilidade tecnológica, que se estende muito além do campo restrito da produção de armamentos tradicionais, é a essência do que o Atlas de Dupla Utilização descreve como uma oportunidade econômica. As empresas não precisam necessariamente mudar radicalmente seus modelos de negócios para capitalizar sobre isso; em vez disso, podem aproveitar a expertise existente e desenvolvê-la para novos campos de aplicação.
Economia da segurança como um futuro campo de política industrial
A relevância deste desenvolvimento para a política econômica é inestimável, especialmente considerando o período de fragilidade estrutural que grande parte da indústria alemã vem atravessando há vários anos. Setores tradicionais de crescimento, como a indústria automotiva, estão sob considerável pressão para se transformarem, enquanto as cadeias de suprimentos internacionais se tornaram mais frágeis devido às tensões geopolíticas. Nesse contexto, a economia de dupla utilização oferece uma perspectiva para defender as vantagens industriais e tecnológicas existentes, ao mesmo tempo que se desenvolvem novas áreas de crescimento, sem a necessidade de uma ruptura estrutural completa.
É importante esclarecer que a tecnologia de dupla utilização não é, de forma alguma, sinônimo de militarização da economia e da inovação. Muitas das tecnologias relevantes são originalmente desenvolvidas para mercados civis e somente mais tarde adaptadas para aplicações relacionadas à segurança. O foco, portanto, não está tanto em como novos sistemas de armas são criados, mas sim em como as capacidades tecnológicas existentes podem contribuir para aumentar a resiliência social e econômica, seja na proteção de infraestruturas críticas, na preparação para desastres ou na tecnologia de segurança civil. Essa distinção torna o tema relevante até mesmo para empresas que tradicionalmente não têm contato com a indústria de defesa, mas que, ainda assim, possuem conhecimentos especializados que se tornam valiosos em um contexto de segurança mais amplo.
Limites de consideração e cautela metodológica
Apesar do valor informativo do Atlas de Dupla Utilização, uma avaliação sóbria de suas limitações se faz necessária. O estudo mede o potencial de emprego, não a produção efetiva de bens específicos relevantes para a segurança, contratos de defesa concretos ou receitas reais de empresas nesse setor. Portanto, um alto potencial de emprego em bens de dupla utilização não significa automaticamente que haverá criação de valor em uma região no curto prazo ou que novos modelos de negócios surgirão da noite para o dia. A entrada efetiva em mercados de dupla utilização geralmente requer ajustes tecnológicos significativos, o desenvolvimento de expertise regulatória em controle de exportações, novas redes de contatos e acesso adequado a clientes e mercados. Isso descreve um processo de desenvolvimento de médio a longo prazo, e não um processo automático de curto prazo.
Além disso, as estatísticas oficiais de produção e emprego frequentemente não diferenciam entre os usos civis, de segurança e militares de um produto específico. O estudo, portanto, pode identificar setores e regiões com potencial correspondente, mas não pode especificar quais produtos específicos as empresas de fato fabricam ou para que esses produtos são efetivamente utilizados. Dados sobre o valor adicionado bruto regional, atividades de pesquisa e desenvolvimento ou receitas reais de empresas ligadas à segurança não puderam ser incluídos na análise devido à falta de disponibilidade abrangente. O atlas, portanto, visa explicitamente apresentar uma abordagem bem fundamentada para a importância econômica de produtos de dupla utilização, e não uma medição exata da produção real de armamentos.
O que a vantagem da localização significa especificamente para Karlsruhe
Para a região econômica de Karlsruhe, sua posição de destaque no índice geral de dupla utilização tem diversas implicações estratégicas concretas. Primeiro, o ranking fornece uma base sólida e fundamentada em dados para o desenvolvimento econômico regional, visando especificamente empresas de setores relevantes para a dupla utilização, sejam elas empresas de médio porte já estabelecidas com foco puramente civil ou novas empresas no setor de tecnologia de segurança e defesa. Segundo, a estreita ligação entre a manufatura industrial e a expertise em sistemas digitais abre o acesso a um mercado crescente de aplicações relevantes para a segurança para as empresas de Karlsruhe, sem exigir que elas abandonem sua base de clientes civis existente. Terceiro, o ranking sinaliza para potenciais investidores, financiadores e agências de compras relevantes para a segurança que a região possui uma massa crítica de substância tecnológica que se estende muito além de áreas isoladas de especialização.
Ao mesmo tempo, a região deve levar a sério as limitações metodológicas do estudo e não interpretar erroneamente as conclusões como um sucesso econômico automático. O verdadeiro desafio agora reside em traduzir o potencial identificado em acesso concreto ao mercado, por exemplo, por meio de redes de contatos direcionadas entre empresas e o setor de segurança e defesa, desenvolvendo expertise em controle de exportações ou adaptando produtos existentes a requisitos relevantes para a segurança. Iniciativas como plataformas regionais de matchmaking para conectar empresas com o setor de segurança e defesa, bem como publicações sobre como ingressar nesse setor, indicam que tais esforços já estão em andamento.
A história mais importante por trás do ranking
O Atlas de Dupla Utilização insere-se numa narrativa mais ampla sobre o realinhamento da política industrial alemã, em curso há vários anos. Após décadas de dividendo da paz, em que as considerações de política de segurança desempenharam um papel secundário no planeamento económico, a questão da resiliência estratégica está agora a ganhar considerável importância, acompanhada por decisões políticas como uma estratégia nacional de segurança económica e um crescente interesse público tanto na segurança civil como na militar. Neste contexto, o Atlas fornece, pela primeira vez, uma base de dados robusta e comparável a nível nacional na Alemanha, demonstrando que a base industrial necessária para este realinhamento já existe em grande parte do país, embora com uma distribuição regional muito desigual e cuja importância estratégica ainda não tenha sido suficientemente reconhecida.
Para regiões como Karlsruhe, isso representa uma dupla oportunidade: por um lado, a chance de alavancar as vantagens industriais e digitais existentes em um novo segmento de mercado em crescimento; por outro, a responsabilidade de desenvolver essas vantagens de forma responsável e em conformidade com o marco legal dos controles de exportação e os debates sociais em torno do papel da economia de segurança. Os próximos anos revelarão se regiões como Karlsruhe conseguirão transformar o potencial estatístico em valor agregado real, novos empregos e resiliência industrial reforçada, ou se o potencial identificado permanecerá inexplorado porque obstáculos regulatórios, falta de redes ou vontade política insuficiente impedem a transformação necessária. O Atlas de Dupla Utilização fornece, pela primeira vez, um mapa confiável no qual esse desenvolvimento poderá ser acompanhado nos próximos anos.
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