
Comunicados de imprensa estão se tornando obsoletos? Taxa de rejeição de 82% – Por que seu orçamento de RP acaba no lixo e o que os jornalistas realmente querem – Imagem: Xpert.Digital
O declínio econômico da importância dos comunicados de imprensa na era digital
Ferramentas de IA e monitoramento de mídia em vez de listas de distribuição de imprensa: como a IA está anunciando o fim das relações públicas tradicionais
Durante décadas, o comunicado de imprensa foi o coração indiscutível da comunicação corporativa. Mas, numa era em que a inteligência artificial está revolucionando a pesquisa e as redações sofrem imensa pressão de tempo, esse instrumento tornou-se economicamente obsoleto. Uma análise honesta revela por que a abordagem "dispersa" das relações públicas não só desperdiça dinheiro, como muitas vezes prejudica a reputação da empresa.
Imagine investir milhares de euros em um produto que 82% dos destinatários descartam imediatamente. O que seria impensável na produção ou logística ainda é comum em muitas assessorias de imprensa alemãs. O comunicado de imprensa tradicional está em profunda crise, que vai muito além de meras considerações estilísticas. Representa uma falha estrutural de mercado: as empresas estão produzindo informações para um cenário midiático que não existe mais nesse formato.
Hoje em dia, jornalistas utilizam ferramentas com inteligência artificial, como o ChatGPT Search ou o Perplexity, para agregar informações em vez de vasculhar caixas de entrada de e-mail lotadas. Ao mesmo tempo, os resultados de busca orgânica e o marketing de conteúdo direto costumam gerar retornos muito maiores do que tentar convencer os editores nas redações.
Este artigo lança luz sobre a dura realidade econômica por trás do declínio gradual de uma ferramenta de relações públicas. Analisa por que agregadores de notícias e otimização para mecanismos de busca (SEO) estão dominando a narrativa, por que a liderança de pensamento está substituindo o RP de produto puro e quais estratégias os profissionais de comunicação devem adotar para não ficarem para trás. É hora de repensar fundamentalmente o uso de recursos em comunicação.
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O comunicado de imprensa atravessa uma crise que vai muito além de discussões estilísticas ou questões de formatação. Num cenário midiático em que editores realizam pesquisas diárias utilizando inteligência artificial, aplicativos de notícias profissionais e consultam mecanismos de busca baseados em IA, como o ChatGPT Search ou o Perplexity, surge uma questão econômica fundamental: que valor agregado real um comunicado de imprensa clássico ainda oferece num ambiente informacional que mudou radicalmente? A resposta é preocupante e revela uma indústria que se apega a canais de distribuição obsoletos, enquanto os fundamentos econômicos de seu trabalho já se desintegraram há muito tempo.
O clássico comunicado de imprensa baseava-se numa troca simples: as empresas produziam informações, os jornalistas atuavam como filtros e disseminadores, verificando, categorizando e repassando essas informações aos seus leitores. Esse modelo gerava valor para ambos os lados: as empresas ganhavam alcance e credibilidade, os jornalistas recebiam informações úteis para suas reportagens. Mas essa parceria está se desfazendo por diversos motivos simultaneamente, e a realidade econômica diz muito sobre o futuro desse instrumento.
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A ineficiência estrutural do comunicado de imprensa clássico
O monitor de tendências de mídia da News Aktuell ilustra claramente o problema central: 62,7% dos profissionais de mídia recebem até 50 sugestões de pauta por semana, e para 6,1%, esse número ultrapassa 150. No entanto, 82% consideram essas informações irrelevantes ou apenas marginalmente úteis. Esses dados descrevem não apenas um problema de comunicação, mas uma falha fundamental no mercado: um gasto massivo de recursos em uma ferramenta que, em quatro de cada cinco casos, não gera valor mensurável.
Do ponto de vista econômico, este é um caso clássico de desperdício com alto custo de oportunidade – o custo das oportunidades perdidas. Produzir um comunicado de imprensa profissional é caro: desenvolvimento do conceito, texto, processos de aprovação, distribuição e acompanhamento consomem pessoal e orçamento. Quando 82% desses investimentos são desperdiçados, o retorno sobre o investimento é péssimo. Soma-se a isso o tempo gasto pelos jornalistas: 47,5% dedicam de uma a três horas por semana, e para 23%, são de quatro a sete horas apenas para analisar propostas de pauta. Esse tempo fica indisponível para o trabalho jornalístico propriamente dito, em um setor que já sofre imensa pressão de tempo e custos.
As causas dessa ineficiência muitas vezes residem na qualidade dos próprios comunicados de imprensa. O relatório "Estado da Mídia" da Cision confirma que jornalistas apontam a falta de relevância das informações de relações públicas como um de seus principais problemas. A realidade nas assessorias de imprensa alemãs comprova isso: os comunicados de imprensa são frequentemente propaganda disfarçada, sobrecarregados de jargões de marketing, superlativos e autoelogios. Frases como "revolucionário", "inovador", "mais rápido" ou "melhor" dominam textos que deveriam, na verdade, atender aos padrões jornalísticos. Essa discrepância entre as aspirações das relações públicas e a realidade nas redações leva à rejeição sistemática.
A revolução tecnológica provocada pela pesquisa impulsionada pela IA
No entanto, uma ameaça ainda maior ao modelo de negócios dos comunicados de imprensa vem de outra direção: a rápida disseminação de ferramentas de pesquisa baseadas em IA nas redações. A Agência de Imprensa Alemã (dpa), em colaboração com a You.com, está desenvolvendo sistemas que permitem aos editores pesquisar o extenso arquivo da dpa usando simples comandos de voz e receber resumos gerados por IA. De acordo com o Instituto Reuters, 28% dos jornalistas já utilizam IA para pesquisa e novas ideias, e 19% a utilizam para auxiliar na criação de textos.
Essas ferramentas mudam fundamentalmente a forma como lidamos com a informação. Em vez de vasculhar dezenas de comunicados de imprensa, os jornalistas agora podem pesquisar fatos específicos e receber respostas contextualizadas de fontes verificadas. Perplexity, ChatGPT Search e aplicativos similares coletam informações de toda a web, resumem-nas e fornecem respostas diretas com citações das fontes. A vantagem em relação ao comunicado de imprensa tradicional é óbvia: abrangência em vez de especificidade, comparabilidade em vez de interesses individuais e rapidez em vez de processos burocráticos de aprovação.
Para as empresas, isso significa que o tradicional canal de distribuição de comunicados de imprensa está sendo cada vez mais substituído pela descoberta digital direta. Quando um jornalista pesquisa um tópico, a IA não busca principalmente em listas de distribuição de imprensa, mas sim em todo o conhecimento disponível na web. Páginas de produtos com dados técnicos, white papers com análises de mercado, artigos especializados com opiniões de especialistas, perfis de gestores no LinkedIn – todas essas fontes são capturadas e ponderadas por sistemas de IA e usadas para responder a perguntas jornalísticas. O comunicado de imprensa clássico é apenas uma das muitas fontes nesse contexto, e muitas vezes não é da mais alta qualidade.
O relatório da Cision confirma essa tendência: embora os comunicados de imprensa ainda sejam considerados uma fonte útil por 37,3% dos entrevistados, os especialistas do setor vêm logo em seguida, com 20,2%, e as agências de notícias, com 17,6%. Mais importante ainda, quando questionados sobre as fontes mais confiáveis, as agências de notícias lideram com 28,5%, seguidas pelos especialistas do setor com 23,1%, enquanto os comunicados de imprensa atingem apenas 22,2%. Esses números indicam uma mudança gradual: afastando-se das mensagens corporativas filtradas e aproximando-se de fontes especializadas independentes e serviços de notícias profissionais.
A lógica econômica da otimização de mecanismos de busca
Paralelamente a esses desenvolvimentos, estabeleceu-se uma economia da informação alternativa, baseada na visibilidade nos motores de busca. As estatísticas de SEO são claras: os resultados de busca orgânica (ou seja, não pagos) representam aproximadamente 94% de todos os cliques. O primeiro resultado da busca recebe quase 40% de todos os cliques, e a probabilidade de esse resultado ser clicado é dez vezes maior do que a de uma página na décima posição. Esses números descrevem um mundo em que ser encontrado pelo Google gera mais valor do que a distribuição por meio de comunicados de imprensa.
Isso leva a uma estratégia clara para as empresas: investir em páginas de produtos de alta qualidade, documentação técnica detalhada, white papers abrangentes e artigos de especialistas com valor informativo genuíno gera um retorno melhor do que produzir comunicados de imprensa genéricos. Esse conteúdo não só tem melhor posicionamento nos mecanismos de busca, como também oferece mais substância para pesquisas com suporte de IA, cumprindo assim um duplo propósito: está otimizado tanto para leitores humanos quanto para sistemas computacionais.
A diferença é fundamental: um comunicado de imprensa é redigido e enviado uma única vez e depois desaparece na avalanche de informações. Uma página de produto bem otimizada ou um white paper bem pesquisado, por outro lado, permanecem permanentemente visíveis, atraem visitantes ao longo do tempo e podem ser usados repetidamente como fonte por jornalistas, analistas e tomadores de decisão. A eficiência econômica desse impacto a longo prazo supera em muito o alcance de curto prazo de um comunicado de imprensa.
Estudos confirmam essa relação: comunicados de imprensa redigidos de acordo com critérios de SEO e publicados em sites de alta qualidade podem melhorar a visibilidade. No entanto, a experiência mostra que enviá-los para portais de imprensa básicos, sem revisão editorial, dificilmente se mostra eficaz atualmente. O Google reconhece a baixa qualidade e classifica essas plataformas de acordo. Resultado: somente a distribuição direcionada a publicações especializadas relevantes ou a publicação direta no próprio site da empresa, bem otimizado, ainda gera resultados mensuráveis.
Agregadores de notícias como uma ameaça estrutural
Outro desenvolvimento está mudando fundamentalmente o cenário da mídia: a ascensão dos agregadores de notícias. Um estudo de plataformas jornalísticas realizado por autoridades de mídia mostra que serviços como Google Discover, Microsoft Start, Apple News e Pocket desempenham agora um papel extremamente importante. Esses serviços, integrados a celulares ou navegadores, geram um novo alcance ao se conectarem com usuários que podem nem estar buscando ativamente por notícias.
Para comunicados de imprensa, isso significa uma desvalorização ainda maior: esses serviços coletam principalmente conteúdo editorial de veículos de mídia consolidados, e não material de relações públicas das empresas. Se um jornalista escreve um artigo baseado em um comunicado de imprensa, e esse artigo é distribuído pelo Google Discover, o veículo de mídia se beneficia do alcance, mas não a empresa que forneceu a informação original. A cadeia de valor, portanto, se torna mais longa, com a empresa incorrendo em custos, mas sem obter nenhum benefício direto.
A isso se soma a crescente importância de serviços de notícias baseados em IA, como o Perplexity. Esses serviços não apenas agregam informações, mas também criam reportagens novas e contextualizadas. Relatórios mostram que esses serviços de IA estão funcionando cada vez mais como canais de notícias automatizados e, portanto, têm o potencial de substituir ou complementar a mídia tradicional. Agências de notícias internacionais frequentemente recebem preferência em relação a provedores locais, o que reduz ainda mais a visibilidade de fontes menores.
A lógica econômica é clara: se os usuários obtêm suas informações principalmente por meio de serviços de agregação de informações baseados em IA, tanto a mídia tradicional quanto os comunicados de imprensa perdem relevância. A IA extrai informações de todo o conjunto de dados disponível, e não apenas dos e-mails que chegam diariamente às redações. As empresas que desejam manter a visibilidade nesse ambiente precisam disponibilizar suas informações onde os sistemas de IA possam encontrá-las e processá-las: em formatos bem estruturados e de alta qualidade, em sites confiáveis.
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O problema da publicidade de produtos e a perda de credibilidade
Talvez o maior problema com o comunicado de imprensa tradicional resida em seu conteúdo. A grande maioria dos comunicados não atende aos padrões jornalísticos, servindo principalmente como ferramentas de marketing. Essa discrepância entre aspiração e realidade leva à rejeição sistemática por parte das redações e, a longo prazo, prejudica a credibilidade de todo o instrumento.
Jornalistas frequentemente criticam informações de relações públicas por serem excessivamente promocionais, detalhadas demais, longas demais e repletas de exageros. Comunicados de imprensa com mais de quatro páginas A4 não são incomuns, mesmo sob enorme pressão de tempo e sem a possibilidade de os jornalistas lerem todas as informações recebidas com atenção. O resultado: informações relevantes se perdem em meio a uma enxurrada de autoelogios, enquanto informações concisas e baseadas em fatos, provenientes de outras fontes, são preferidas.
Essa fragilidade no conteúdo não é acidental, mas sim inerente ao sistema. Os comunicados de imprensa nas empresas geralmente passam por diversas etapas de aprovação, nas quais os departamentos de marketing, vendas e gestão opinam com base em seus interesses. O resultado é um compromisso que visa agradar a todos os envolvidos internamente, mas que dificilmente atende às exigências dos jornalistas externos. O processo de aprovação interna é otimizado para o consenso dentro da empresa, e não para a usabilidade pela imprensa.
Estudos mostram o que os jornalistas realmente esperam: 53% exigem comunicação transparente e baseada em fatos, 42% querem acesso a dados e estudos confiáveis e 37% desejam conteúdo exclusivo. Essas demandas contrastam fortemente com a prática de muitas assessorias de imprensa, que enviam comunicados de imprensa padronizados. A ineficiência econômica é óbvia: as empresas produzem conteúdo que não atinge seu público-alvo e, assim, desperdiçam recursos sistematicamente.
Estratégias alternativas como opções economicamente mais vantajosas
Diante desses problemas, surge a questão de quais outras abordagens são mais viáveis economicamente. A resposta reside na mudança dos hábitos de consumo de mídia e nas novas possibilidades tecnológicas: o marketing de conteúdo, a comunicação direta com o público-alvo e as parcerias estratégicas com a mídia geralmente proporcionam um retorno maior do que o tradicional comunicado de imprensa.
O marketing de conteúdo foca em conteúdo informativo e de alta qualidade que não seja meramente publicitário, mas que ofereça valor agregado genuíno. Estudos mostram que essa abordagem custa significativamente menos do que o marketing tradicional, porém gera mais leads. A lógica é convincente: em vez de se esforçar para convencer jornalistas, você se dirige diretamente ao seu público-alvo, constrói confiança e se posiciona como um especialista.
A transformação digital também possibilita canais diretos que eliminam a necessidade de intermediários de mídia. As empresas podem enviar suas mensagens sem filtros para tomadores de decisão e clientes em potencial por meio de blogs, LinkedIn, YouTube, podcasts ou newsletters. Esses canais oferecem vantagens: controle total sobre o conteúdo e o momento da publicação, feedback direto, sucesso mensurável e a capacidade de apresentar tópicos complexos em detalhes sem o risco de cortes.
Estudos de mídia confirmam essa mudança: o uso de conteúdo online tradicional está diminuindo ligeiramente, enquanto as mídias sociais oferecem um enorme potencial para comunicação direta. Para empresas B2B, isso significa que, embora o relacionamento com a imprensa tradicional continue importante em certos casos, está perdendo espaço para seus próprios canais digitais.
Parcerias estratégicas com a mídia são outra alternativa. Em vez de enviar comunicados de imprensa para todos, empresas bem-sucedidas investem em relacionamentos de longo prazo com algumas publicações especializadas importantes. Isso pode incluir entrevistas exclusivas, estudos conjuntos ou artigos de opinião. A vantagem reside na precisão: em vez de usar uma abordagem dispersa, os recursos são concentrados nos veículos de comunicação que realmente alcançam o público-alvo correto.
Relatórios mostram que jornalistas apreciam essas abordagens: eles querem respostas rápidas, apoio na pesquisa e acesso a especialistas em vez de envios em massa. Esses desejos representam uma mudança do modelo padrão para um trabalho individualizado. Empresas que fazem essa mudança comprovadamente alcançam melhores resultados com um uso mais eficiente de seus recursos.
O papel do status de especialista e da liderança de opinião
Uma alternativa particularmente eficaz ao tradicional comunicado de imprensa é o desenvolvimento estratégico de representantes da empresa como especialistas. Em vez de divulgar notícias sobre produtos, o foco passa a ser fornecer opiniões bem fundamentadas sobre temas do setor. Essa forma de comunicação gera múltiplos benefícios: constrói uma boa reputação, fomenta a confiança na expertise da empresa e leva a consultas recorrentes, sem a necessidade de enviar comunicados de imprensa constantemente.
Os dados corroboram essa estratégia: especialistas do setor são citados por jornalistas como uma fonte altamente confiável, muitas vezes até mesmo antes dos assessores de imprensa internos. Esses números mostram que os jornalistas preferem falar diretamente com profissionais competentes em vez de processar textos de relações públicas pré-escritos.
Essa liderança intelectual se manifesta em diversos formatos: artigos de opinião, palestras, debates, entrevistas ou pesquisas originais. A vantagem econômica reside em seu impacto a longo prazo: um status de especialista consolidado leva à visibilidade contínua, sem a necessidade de trabalhar para cada menção individual.
Além disso, há o efeito amplificador das redes sociais: opiniões de especialistas são compartilhadas e discutidas. O LinkedIn se consolidou como particularmente importante para clientes corporativos. Uma publicação bem escrita por um representante da empresa sobre um tema específico pode alcançar um público maior do que um comunicado de imprensa que se perde em uma caixa de entrada de e-mail.
O uso de dados e estudos reforça ainda mais essa ideia. Empresas que realizam suas próprias pesquisas de mercado e publicam os resultados tornam-se uma fonte valiosa para jornalistas. Pesquisas mostram que os tomadores de decisão estão convencidos da importância de estudos internos. Os resultados dos estudos são incorporados às notícias com mais facilidade do que outras informações e projetam a empresa como uma participante bem informada do mercado.
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A continuidade do trabalho da imprensa tradicional em áreas específicas
Apesar de todos os problemas, seria um erro descartar completamente as relações públicas tradicionais. Ainda existem situações em que os comunicados de imprensa têm valor, especialmente para notícias genuínas, como aquisições, inovações reais de produtos, decisões da diretoria ou dados importantes do negócio. A diferença reside na seleção: nem toda notícia interna justifica um comunicado de imprensa, mas apenas aquelas com valor jornalístico real.
Os dados mostram que o comunicado de imprensa não está completamente obsoleto: muitos profissionais da mídia ainda o utilizam diariamente. Ele é frequentemente citado como um recurso útil. Isso demonstra que comunicados de imprensa bem elaborados ainda podem ser eficazes, desde que atendam aos padrões jornalísticos.
O desafio reside na qualidade e no foco. As relações públicas devem ser proativas e alinhadas com os temas abordados pela mídia. Os editores apreciam receber a informação correta no momento certo. No entanto, isso exige conhecimento do panorama midiático, contatos pessoais e a capacidade de apresentar o conteúdo da empresa em um estilo jornalístico.
Especialmente no setor B2B e em publicações comerciais, as relações públicas tradicionais continuam sendo importantes, pois essas publicações dependem de informações qualificadas do setor. Os editores técnicos geralmente têm pouco tempo para suas próprias pesquisas e precisam de informações bem elaboradas. No entanto, o pré-requisito é que essas informações ofereçam valor agregado genuíno e não sejam simplesmente publicidade.
O conteúdo multimídia também está se tornando cada vez mais importante. Mensagens com imagens, vídeos ou gráficos recebem muito mais atenção do que apenas texto. Isso reflete as demandas da mídia digital, que exige conteúdo visual para seus canais. Empresas que fornecem recursos visuais de alta qualidade aumentam significativamente suas chances de publicação.
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As perspectivas econômicas para o futuro
A perspectiva de longo prazo para os comunicados de imprensa tradicionais é negativa, não no sentido de um desaparecimento repentino, mas sim de uma mudança gradual em sua importância. O cenário midiático está se tornando cada vez mais fragmentado, a pesquisa orientada por inteligência artificial está se tornando padrão e os canais digitais diretos estão ganhando importância. Nesse ambiente, o comunicado de imprensa se tornará uma ferramenta especializada para ocasiões específicas, enquanto a maior parte da comunicação ocorrerá por outros canais.
A alocação de orçamentos em departamentos bem-sucedidos já está mudando: o dinheiro está sendo cada vez mais direcionado para marketing de conteúdo, SEO, mídias sociais, relacionamento com influenciadores e parcerias com a mídia. Essa mudança é lógica, visto que essas medidas comprovadamente são mais eficazes do que a distribuição em massa de textos padronizados.
Para as empresas, surgem estratégias claras. Produzir conteúdo de alta qualidade e otimizado para mecanismos de busca em seu próprio site deve ser uma prioridade, já que esse conteúdo permanece permanentemente visível. Abordar diretamente o público-alvo por meio de seus próprios canais é mais eficiente. Relacionamentos sólidos com alguns veículos de comunicação são mais valiosos do que uma ampla distribuição. E especialistas em posicionamento criam visibilidade sustentável.
O papel das assessorias de imprensa vai mudar. Em vez de simplesmente redigir e distribuir comunicados de imprensa, elas se tornarão estrategistas de conteúdo, desenvolvendo diversos formatos e cultivando relacionamentos. O comunicado de imprensa continuará sendo uma ferramenta, mas perderá sua posição dominante.
Essa mudança não é impulsionada apenas pela tecnologia, mas também pela economia. O custo de obtenção de informações diminuiu. Jornalistas agora podem encontrar informações com apenas alguns cliques, algo que antes exigia extensa pesquisa. A inteligência artificial amplifica esse efeito. Nesse contexto, a divulgação de informações por meio de comunicados de imprensa está perdendo sua relevância.
Ao mesmo tempo, os custos aumentam devido às oportunidades perdidas. Cada hora gasta em um comunicado de imprensa ruim é uma hora a menos para coisas mais importantes, como conteúdo de alta qualidade ou networking. Essas alternativas geram retornos maiores, tornando difícil justificar a insistência em métodos ultrapassados.
Os limites do processamento de IA
No entanto, seria prematuro declarar o fim da mediação humana. Apesar de suas capacidades, os sistemas de IA têm limitações. Eles são propensos a erros ("alucinações"), ou seja, inventam fatos. Frequentemente, interpretam mal o contexto e perpetuam vieses provenientes de seus dados de treinamento. Estudos mostram que muitos resultados de buscas realizadas por IA podem conter erros.
Essas delimitações criam espaço para o trabalho jornalístico qualificado e, consequentemente, para informações de alta qualidade provenientes das empresas. A diferença reside na qualidade: enquanto comunicados banais se perdem na multidão, fatos genuínos e informações exclusivas ainda têm valor. Contudo, as exigências em relação a essas informações estão aumentando.
Hoje em dia, os jornalistas não precisam mais de informações básicas que podem encontrar no Google. Eles precisam de insights exclusivos, acesso a dados não públicos, entrevistas com tomadores de decisão ou informações de contexto. Esse tipo de informação não pode ser fornecido por meio de textos convencionais; exige trabalho estratégico.
O resultado é uma divisão: as empresas investem ou na disseminação de informações de alta qualidade, ou utilizam canais diretos. A solução intermediária – relações públicas padrão sem valor agregado – está se tornando cada vez menos viável economicamente.
A tensão entre quantidade e qualidade
Um dos principais problemas é a discrepância entre as expectativas internas e a realidade externa. Muitas empresas medem o sucesso por meio de números: a quantidade de e-mails enviados ou o tamanho da lista de distribuição. Esses números criam uma falsa impressão de atividade, mas não mensuram o verdadeiro valor, como a cobertura da mídia ou os ganhos de reputação.
Isso leva a uma superprodução de comunicados de imprensa negativos. As assessorias de imprensa sofrem pressão para comunicar mesmo quando não há nada de novo. O resultado são textos irrelevantes que apenas irritam os jornalistas.
A ineficiência desse sistema é evidente, mas difícil de mudar. Mudar o foco da quantidade para a qualidade significaria que os departamentos também poderiam permanecer em silêncio quando não há nada a dizer. No entanto, isso muitas vezes contradiz a lógica em empresas onde a comunicação é vista como uma tarefa contínua.
Isso revela um conflito: de uma perspectiva econômica, faria sentido comunicar menos, porém melhor. Organizacionalmente, isso é arriscado, pois poderia colocar em xeque a própria existência do departamento. É por isso que muitos se apegam a métodos antigos.
A solução exige um realinhamento. Em vez de fábricas de texto, os departamentos de comunicação devem ser consultores estratégicos que gerenciam todos os canais. Seu valor reside não na quantidade de produção, mas na qualidade da estratégia e em sua contribuição para os objetivos de negócios.
O poder transformador das plataformas
Outro fator é o poder das plataformas digitais. O Google, o LinkedIn e outras controlam o fluxo de informações. Elas priorizam conteúdo visualmente atraente e que incentive a interação. O comunicado de imprensa tradicional não oferece isso.
O LinkedIn é particularmente importante para o mercado B2B. Aqueles que publicam artigos bem fundamentados na plataforma geralmente alcançam mais tomadores de decisão do que por meio de comunicados de imprensa. O algoritmo prioriza pessoas reais em vez de logotipos de empresas, recompensando o status de especialista. Isso transfere o poder da assessoria de imprensa para o especialista individual.
As consequências são de longo alcance. Investimentos nas marcas pessoais de executivos geralmente geram melhores resultados do que o RP institucional. No entanto, isso exige uma mudança de mentalidade: os funcionários devem ser capacitados para atuarem como embaixadores da marca. Isso gera alcance, mas requer confiança.
As plataformas também estão mudando a moeda da atenção. Em vez de números de visualizações, curtidas, compartilhamentos e cliques são o que contam. Esses indicadores são mensuráveis e permitem uma melhor avaliação do sucesso. Uma publicação bem-sucedida no LinkedIn pode ser avaliada diretamente; isso é mais difícil com um comunicado de imprensa.
O retorno da imprensa especializada e a pressão para se especializar
Curiosamente, as publicações comerciais especializadas estão passando por uma espécie de renascimento. Em muitos setores, as revistas comerciais são muito importantes porque atingem precisamente os tomadores de decisão. Esses veículos de comunicação precisam de informações técnicas aprofundadas que não conseguem pesquisar por conta própria.
Para as empresas, isso significa: as relações públicas tradicionais podem ser úteis, mas precisam ser muito focadas. Em vez de contatar todo mundo, as empresas cultivam relacionamentos próximos com algumas publicações especializadas. A qualidade da informação deve ser alta: detalhes técnicos, análises de mercado ou relatos de usuários.
Não se trata mais de alcançar o máximo de pessoas possível, mas sim de alcançar as pessoas certas. Um artigo em uma revista especializada pode ser mais valioso do que inúmeras menções na mídia em geral. Esse trabalho exige tempo, mas produz melhores resultados.
O paradoxo: enquanto a comunicação de massa perde valor, a comunicação especializada ganha. Ambas seguem a lógica da eficiência. A ampla distribuição é um desperdício, a comunicação focada é eficiente.
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A remoção dos porteiros
O papel dos jornalistas como guardiões da informação mudou fundamentalmente. Antes, as redações decidiam o que era publicado. Isso garantia a qualidade. Hoje, as empresas podem se comunicar diretamente.
Esse acesso direto tem dois lados. Por um lado, a comunicação é mais eficiente sem filtros. Por outro, há uma falta de controle de qualidade, o que aumenta o risco de desinformação. Estudos mostram que atores locais frequentemente ignoram a imprensa e criam sua própria esfera pública.
Para as empresas, isso significa mais liberdade, mas também mais responsabilidade. Elas precisam garantir que suas informações sejam precisas. A tentação de disfarçar publicidade como notícia é grande, mas, em última análise, prejudica a credibilidade.
A melhor estratégia é uma combinação: comunicação direta para informações básicas e alcance do público-alvo, complementada por relações estratégicas com a mídia para credibilidade. Comunicados de imprensa em massa não se encaixam em nenhum contexto específico e estão perdendo sua eficácia. Em vez disso, você precisa de conteúdo de qualidade para seus próprios canais e informações personalizadas para parceiros de mídia.
Isso exige novas habilidades. Em vez de apenas escrever textos, os profissionais de comunicação precisam desenvolver formatos, gerenciar canais, analisar dados e cultivar redes de contatos. O perfil da função está mudando do jornalismo para o marketing digital e a estratégia.
O comunicado de imprensa tradicional não está desaparecendo imediatamente, mas está perdendo espaço à medida que ferramentas mais eficientes o substituim. É assim que a inovação funciona: o antigo é substituído pelo melhor. As empresas que reconhecem isso cedo economizam dinheiro e se comunicam com mais eficácia. Aquelas que se apegam aos métodos antigos desperdiçam recursos. Os indicadores econômicos são claros.
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