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Reunião de Trabalho - Escritório da SME Europe | Defesa da Europa - o papel das PME no contexto do livro branco “Prontidão 2030”

Publicado em: 14 de maio de 2025 / Atualizado em: 14 de maio de 2025 – Autor: Konrad Wolfenstein

Defesa da Europa na mudança - o papel das PME no contexto do livro branco

A defesa da Europa em transição – O papel das PME no contexto do Livro Branco “Preparação 2030” – Imagem: Xpert.Digital

Defesa europeia e o envolvimento das PME: Inovação e novas tecnologias à luz do Livro Branco "Preparação 2030"

A defesa da Europa em transição – O papel das PME no contexto do Livro Branco “Preparação 2030”

Apresentação do contexto estratégico e da urgência

A arquitetura de segurança europeia está passando por uma transformação fundamental. O “Livro Branco Conjunto sobre a Defesa Europeia – Preparação 2030” (doravante designado por “Livro Branco”), apresentado pela Comissão Europeia e pelo Alto Representante para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança em 19 de março de 2025, pinta um quadro inequívoco de um “contexto estratégico em rápida deterioração”. Esta avaliação é sustentada pela guerra de alta intensidade da Rússia na Ucrânia, pela postura cada vez mais agressiva de Estados autoritários como a China, pela ascensão de ameaças híbridas e por uma mudança perceptível no foco de segurança dos Estados Unidos, que se afasta da Europa. Décadas de subinvestimento enfraqueceram a preparação da defesa europeia. À luz destas mudanças tectónicas na ordem internacional, a Europa enfrenta uma escolha: moldar ativamente esta nova ordem ou ser moldada por ela. O Livro Branco argumenta enfaticamente que, apesar dos inegáveis ​​benefícios da NATO e da UE, os esforços do passado já não são suficientes. A Europa deve “rearmar-se” e “assumir uma responsabilidade significativamente maior pela sua própria segurança”.

Adequado para:

Introdução à Reunião de Trabalho das PMEs na Europa

Nesse contexto preocupante, a reunião de trabalho “Defesa Europeia e o Envolvimento das PME: Inovação e Novas Tecnologias”, que ocorrerá em 20 de maio de 2025, das 13h30 às 15h00 (CET), no escritório da SME Europe em Bruxelas (Rue d'Arlon 46, 1000 Bruxelas) e online, assume particular relevância. O evento, sob o patrocínio da eurodeputada Riho Terras, presidente da Iniciativa de Defesa das PME do PPE e vice-presidente da Comissão de Segurança e Defesa do Parlamento Europeu (SEDE), visa proporcionar uma plataforma para reflexão sobre os planos da Comissão Europeia à luz do Livro Branco. O foco será a discussão sobre como as pequenas e médias empresas (PME) podem fortalecer as capacidades de defesa da Europa por meio da inovação, do investimento e do desenvolvimento de competências.

Tese: A importância central, embora desafiadora, das PME para a concretização dos objetivos de defesa europeus

As pequenas e médias empresas (PMEs) são cada vez mais reconhecidas como atores indispensáveis ​​no fortalecimento das capacidades de defesa europeias. São consideradas "impulsionadoras-chave da inovação", particularmente no que diz respeito às tecnologias disruptivas que são cruciais para as futuras capacidades de defesa da Europa. Esta avaliação também se reflete no Livro Branco, que enfatiza a necessidade de apoiar as PMEs através de iniciativas específicas, como o FAST (Fundo para a Aceleração da Transformação da Cadeia de Abastecimento).

Apesar desse reconhecimento geral, as PMEs continuam a enfrentar obstáculos significativos. Entre eles, destacam-se as dificuldades de acesso a especialistas qualificados – especialmente em áreas promissoras como inteligência artificial (IA) e tecnologia quântica – bem como a dificuldade em obter o financiamento necessário para o crescimento e a expansão. A próxima reunião de trabalho da SME Europe abordará explicitamente esses desafios e discutirá soluções concretas.

A proximidade entre a publicação do Livro Branco em março de 2025 e o Evento SME Europe em maio de 2025 cria uma sinergia notável e confere ao evento uma urgência particular. O Livro Branco apresenta uma agenda ambiciosa e com prazos definidos para a defesa europeia, incluindo iniciativas legislativas concretas e cronogramas, como a apresentação de um “regulamento abrangente” até junho de 2025 e a adoção do Programa Europeu da Indústria de Defesa (EDIP) até o verão de 2025. O Evento SME Europe ocorre, portanto, em um período crucial: entre a publicação do quadro estratégico e os primeiros prazos-chave de implementação. Isso eleva o encontro para além de uma discussão rotineira. Ele proporciona uma plataforma imediata para a avaliação crítica e a possível influência na implementação das medidas do Livro Branco que são diretamente relevantes para as PMEs. Os resultados e as demandas do evento podem, portanto, ter uma influência direta na concepção final de iniciativas como o referido Regulamento Abrangente e permitir que os representantes das PMEs desempenhem um papel proativo nesse processo de concepção.

 

Conselho - Planejamento - Implementação
Pioneiro Digital - Konrad Wolfenstein

Markus Becker

Ficarei feliz em servir como seu conselheiro pessoal.

Chefe de Desenvolvimento de Negócios

Presidente SME Connect Defense Working Group

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Novo impulso para as PME: a estratégia de defesa da Europa e as suas oportunidades

O Livro Branco “Defesa Europeia – Prontidão 2030”: Um realinhamento estratégico

Objetivos principais do Livro Branco: “ReArmamento da Europa” – Preparação Europeia para 2030

O objetivo central e primordial do Livro Branco é alcançar a plena prontidão de defesa da Europa até 2030. Isso inclui restaurar uma capacidade de dissuasão credível e garantir que a Europa possa agir com decisão para proteger seus cidadãos, interesses e valores. Para atingir essa meta ambiciosa, o documento apela a um aumento maciço do investimento em defesa e a uma mudança fundamental na abordagem da Europa em matéria de defesa. Trata-se nada menos que de um realinhamento estratégico sob o princípio orientador de "Rearmamento da Europa".

Principais pilares e propostas relevantes para as PMEs

O documento de política baseia-se em vários pilares estratégicos e contém uma série de propostas concretas, muitas das quais têm efeitos diretos ou indiretos nas pequenas e médias empresas:

Preencher lacunas críticas de capacidade

O documento identifica áreas prioritárias onde a Europa precisa urgentemente de melhorar as suas capacidades. Estas incluem sistemas integrados de defesa aérea e antimíssil, sistemas de artilharia avançados (especialmente para ataques de precisão de longo alcance), garantia do fornecimento de munições e mísseis (com base num “Plano de Munições 2.0”), sistemas não tripulados (drones) e sistemas para a sua defesa, mobilidade militar e capacidades em inteligência artificial, tecnologia quântica e guerra cibernética e eletrónica (tanto ofensiva como defensiva). Elementos estratégicos como o transporte aéreo estratégico, a inteligência, a vigilância e o reconhecimento (ISR) e a proteção de infraestruturas críticas também são destacados. Para colmatar estas lacunas, o documento enfatiza a necessidade de uma cooperação significativamente reforçada entre os Estados-Membros e a aquisição conjunta de equipamento de defesa, com o objetivo de aumentar as economias de escala, a interoperabilidade e a eficiência. Pretende atingir a meta da Agência Europeia de Defesa (EDA) de aquisição conjunta para 35% das operações. A Comissão poderá atuar como organismo central de aquisição, mediante pedido.

Relevância para PMEs:

Essas áreas de competência prioritárias oferecem às PMEs diversas oportunidades, particularmente em nichos tecnológicos, como fornecedoras de sistemas complexos e como provedoras de componentes e serviços inovadores.

Reforçar a Base Industrial Europeia de Defesa (BEID)

O Livro Branco diagnostica uma indústria de defesa europeia fragmentada e com poucos investimentos, que atualmente não consegue produzir na escala e velocidade necessárias. Os mercados nacionais são demasiado pequenos para sustentar a base industrial necessária.

As soluções propostas incluem: um “regulamento abrangente” (até junho de 2025) para simplificar e harmonizar as regulamentações, acelerar os procedimentos de aprovação, garantir as cadeias de suprimentos de materiais críticos, facilitar o acesso ao financiamento (incluindo a consideração de critérios ESG) e simplificar a troca segura de informações. Outras soluções propostas incluem a agregação da demanda por meio de contratos plurianuais de longo prazo para criar previsibilidade de planejamento para a indústria; a garantia das cadeias de suprimentos por meio da identificação e diversificação das fontes de matérias-primas e componentes críticos (por exemplo, chips); o desenvolvimento de alternativas nacionais; a criação de um mercado genuíno em toda a UE para bens de defesa; e a consideração de uma “preferência europeia” em compras públicas (revisão da Diretiva de Compras de 2026). Há também um forte enfoque na promoção da inovação por meio do lançamento de um “Roteiro Europeu de Tecnologia de Defesa” (inicialmente para IA e tecnologia quântica), o fortalecimento do EUDIS (Programa Europeu de Inovação em Defesa) e do Centro de Inovação em Defesa da EDA, e o apoio às PMEs por meio de iniciativas como o FAST. Por fim, está sendo abordada a necessidade de lidar com a escassez de habilidades e atrair talentos para o setor de defesa.

Relevância para PMEs:

A menção direta a instrumentos de apoio às PMEs, como o FAST, é positiva. O Regulamento Omnibus tem o potencial de reduzir significativamente os entraves burocráticos, mas também pode criar novas complexidades se não for especificamente adaptado às necessidades das PMEs.

Aumento maciço nos gastos com defesa e na alavancagem financeira

O documento delineia cinco pilares para o financiamento do projeto “ReArm Europe”. Estes incluem:

  • Um novo instrumento financeiro denominado SAFE (Segurança e Ação para a Europa), um regulamento da UE (artigo 122.º do TFUE), destina-se a disponibilizar até 150 mil milhões de euros em empréstimos com garantia orçamental da UE aos Estados-Membros para projetos de aquisição conjunta (envolvendo pelo menos dois países, sendo um deles o Estado-Membro beneficiário do SAFE). Este instrumento abrange competências prioritárias e inclui uma isenção de IVA para as aquisições financiadas pelo SAFE.
  • A ativação coordenada da cláusula de isenção nacional do Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) pelos Estados-Membros para permitir maiores gastos com defesa (potencialmente um adicional de 1,5% do PIB, o que poderia representar cerca de 800 mil milhões de euros ao longo de quatro anos, incluindo o SAFE).
  • Flexibilizar os instrumentos existentes da UE para permitir a realocação de fundos dentro dos programas da política de coesão, priorizando as áreas de defesa e segurança.
  • Um papel ampliado para o Banco Europeu de Investimento (BEI), que deverá acelerar seu plano de ação para segurança e defesa, dobrar seus investimentos anuais para € 2 bilhões (em drones, espaço, cibersegurança, etc.), tornar seus critérios de financiamento menos restritivos e estabelecer um objetivo político abrangente para investimentos em segurança.
  • Mobilizar capital privado, melhorando o acesso ao financiamento para empresas de defesa (especialmente PMEs) e esclarecendo a relação entre os objetivos de investimento em defesa e em sustentabilidade, em conformidade com o Regulamento de Divulgação sobre Estabilidade Financeira e Desenvolvimento (SFDR). A União dos Mercados de Capitais deverá desempenhar um papel de apoio neste processo.

Relevância para PMEs:

As PMEs podem obter acesso indireto a projetos financiados pelo SAFE através dos principais contratantes. Oportunidades diretas podem surgir do papel alargado do BEI e, potencialmente, de fundos de coesão mais flexíveis. Esclarecer o SFDR é crucial para mobilizar o investimento privado em PMEs do setor da defesa.

Adequado para:

Menção específica e papel pretendido das PMEs no Livro Branco

O Livro Branco reconhece explicitamente que as PME desempenham um papel fundamental no desenvolvimento de tecnologias disruptivas. Isso é reforçado pelo foco em áreas promissoras como inteligência artificial e tecnologia quântica, bem como pela menção ao instrumento de financiamento específico para PMEs, o FAST. A descrição do evento SME Europe confirma essa avaliação e destaca que as PMEs são consideradas “motoras essenciais da inovação”. De acordo com o anúncio do evento, até € 840 milhões serão disponibilizados para apoiar as atividades das PMEs entre 2023 e 2027. Esse montante, que presumivelmente se refere a programas existentes ou em andamento, precisa ser reavaliado e recontextualizado no contexto das novas e substanciais alavancas de financiamento do Livro Branco.

A ambição delineada no Livro Branco de um aumento “massivo” no investimento e na capacidade de produção, contudo, apresenta um desafio inerente ao papel das pequenas e médias empresas (PMEs). O Livro Branco enfatiza a necessidade de fortalecer a fragmentada indústria de defesa europeia e de aumentar rapidamente a produção. Projetos de aquisição conjunta em larga escala, como os promovidos pelo instrumento SAFE, e a desejada consolidação do setor tendem a favorecer grandes empresas já estabelecidas, que possuem a capacidade necessária para gerir tais contratos. As PMEs são frequentemente caracterizadas por maior flexibilidade e capacidade de inovação, mas muitas vezes carecem dos recursos e da capacidade administrativa para atuarem diretamente como contratantes principais em licitações de grande porte ou para liderarem consórcios complexos e transfronteiriços. Se o “aumento massivo” na produção de defesa for alcançado principalmente por meio de grandes integradores de sistemas, corre-se o risco de as PMEs atuarem meramente como subcontratadas com margens reduzidas, ou de a contribuição inovadora de empresas menores e ágeis ser sufocada pelo domínio das grandes estruturas e seus processos consolidados. Portanto, é crucial que os instrumentos de apoio às PME mencionados no Livro Branco (como o FAST e o EUDIS) e a concepção do Regulamento Omnibus planejado não se limitem a dar uma atenção meramente nominal às PME. Em vez disso, devem assegurar um acesso genuíno e facilitado ao financiamento e aos contratos, bem como condições de concorrência justas dentro do novo paradigma do “Rearmamento da Europa”, a fim de evitar a marginalização involuntária destes importantes intervenientes.

 

Novo impulso para as PMEs: Financiamento e criação de redes no setor de defesa

Oportunidades e desafios para as PME no setor de defesa europeu

Análise dos obstáculos identificados no Livro Branco e no contexto do evento

O fortalecimento das capacidades de defesa europeias com a participação significativa das PME é um objetivo declarado. No entanto, essas empresas enfrentam uma série de obstáculos significativos, que são abordados tanto no Livro Branco quanto no anúncio do evento PME Europa:

  • Acesso ao financiamento: Um dos maiores desafios para as PME é garantir o financiamento necessário para impulsionar a inovação e aumentar a produção. O Livro Branco reconhece esse problema e propõe medidas como um papel mais abrangente para o BEI e a mobilização de capital privado por meio do esclarecimento das normas do SFDR.
  • Escassez de competências: Particularmente em setores de alta tecnologia, como inteligência artificial e tecnologia quântica, existe uma grave escassez de especialistas qualificados, o que ameaça a inovação e a competitividade das PME. O Livro Branco identifica este problema como uma realidade para toda a indústria de defesa europeia e apela a medidas para atrair e reter talentos.
  • Acesso ao mercado e complexidade: as PME sofrem com mercados nacionais fragmentados e processos de aquisição frequentemente opacos e complexos. O Livro Branco visa criar um “mercado genuíno à escala da UE” para bens de defesa e simplificar os procedimentos administrativos através de um “regulamento abrangente”.
  • Visibilidade e criação de redes de contatos: Para muitas PMEs, é difícil serem notadas por potenciais clientes, especialmente grandes integradoras de sistemas e parceiros internacionais, e integrarem-se efetivamente nas cadeias de valor.

Potencial para as PMEs através das novas iniciativas e mudanças estratégicas

Apesar desses desafios, as iniciativas delineadas no Livro Branco e a mudança estratégica geral na política de defesa europeia também oferecem um potencial considerável para as PME:

  • Liderança em inovação: as PMEs podem aproveitar ao máximo sua agilidade e especialização em nichos tecnológicos e no desenvolvimento de tecnologias disruptivas (por exemplo, IA, computação quântica, defesa cibernética, sistemas não tripulados). O anunciado "Roteiro Europeu para a Tecnologia de Defesa" poderá gerar contratos de pesquisa e desenvolvimento direcionados e adaptados aos pontos fortes das PMEs.
  • Novas fontes de financiamento: Programas de apoio direcionados para PMEs, como o FAST e o EUDIS, melhor acesso ao financiamento do BEI e um possível acesso mais fácil ao capital de risco através do esclarecimento previsto dos critérios do SFDR poderão fortalecer a base financeira das PMEs. Os 840 milhões de euros para atividades de PMEs mencionados no contexto do evento para o período 2023-2027 representam um ponto de partida importante, mas que poderá necessitar de ser complementado tendo em conta as novas ambições.
  • Participação em programas de maior envergadura: As PMEs podem participar como fornecedoras especializadas ou como parceiras em consórcios nos programas de desenvolvimento de capacidades priorizados no Livro Branco (por exemplo, nas áreas de defesa aérea, artilharia e defesa contra drones) e, assim, beneficiar-se do aumento dos gastos com defesa.
  • Condições-quadro simplificadas: Caso o “Regulamento Geral” planejado atenda às expectativas depositadas nele, os encargos administrativos para as PMEs poderão diminuir consideravelmente e o acesso transfronteiriço ao mercado poderá ser facilitado.
  • Foco em “Cadeias de Abastecimento Seguras”: As PMEs que fornecem componentes, materiais ou tecnologias essenciais para a indústria de defesa podem beneficiar-se das medidas anunciadas no Livro Branco para fortalecer e diversificar as cadeias de abastecimento europeias. Isso pode levar a um aumento da demanda e a relações comerciais de longo prazo.

Um aspecto sutil, mas potencialmente significativo, diz respeito ao financiamento de PMEs, particularmente aquelas com tecnologias de dupla utilização. Embora o Livro Branco vise esclarecer o Regulamento de Divulgação de Finanças Sustentáveis ​​(SFDR) no que se refere a investimentos em defesa, muitas tecnologias inovadoras relevantes para a defesa, como IA, soluções de cibersegurança e materiais avançados, também têm aplicações civis (dupla utilização). As PMEs são frequentemente muito bem representadas nessas áreas de dupla utilização. Investidores privados e bancos estão cada vez mais sujeitos a diretrizes ESG (Ambiental, Social e de Governança) rigorosas e às expectativas associadas de seus stakeholders.

Adequado para:

Neste contexto, os investimentos em defesa são frequentemente vistos com desconfiança ou categoricamente excluídos. O Livro Branco reconhece este problema e apela ao esclarecimento do Regulamento de Defesa dos Estados Independentes (RDSI), o que representa um passo importante. Contudo, um mero “esclarecimento” poderá não ser suficiente. Um posicionamento proativo e critérios específicos poderão ser necessários para permitir que as PME do setor da defesa — em particular as que têm um claro foco na dupla utilização — sejam classificadas como conformes aos critérios ESG ou, pelo menos, como “socialmente relevantes” no contexto da segurança europeia. Sem uma classificação tão clara e positiva, as PME poderão continuar excluídas de importantes fontes de financiamento privado, apesar dos compromissos políticos expressos no Livro Branco. Isto prejudicaria significativamente a sua capacidade de expansão e inovação. O próximo evento SME Europe constitui uma plataforma importante para analisar este aspeto do esclarecimento do RDSI, especificamente na perspetiva das PME, e para formular as respetivas exigências.

Principais iniciativas do Livro Branco “Preparação 2030” e suas implicações para as PMEs

Principais iniciativas do Livro Branco

Principais iniciativas do Livro Branco “Preparação 2030” e suas implicações para as PMEs – Imagem: Xpert.Digital

As principais iniciativas do Livro Branco "Preparação 2030" descrevem uma ampla gama de medidas e seu potencial impacto nas pequenas e médias empresas (PMEs). O instrumento SAFE prevê a disponibilização de até 150 mil milhões de euros em empréstimos da UE aos Estados-Membros para projetos de contratação conjunta e a introdução de uma isenção de IVA. Isto oferece às PMEs a oportunidade de participar indiretamente como fornecedoras em projetos de grande escala e beneficiar de vantagens fiscais na cadeia de abastecimento. No entanto, existe também o risco de marginalização se não estiverem ativamente envolvidas nas cadeias de abastecimento. Para incluir com sucesso as PMEs, são necessários critérios e mecanismos de adjudicação transparentes que garantam uma participação justa e a transferência dos benefícios.

O Regulamento Omnibus visa apoiar as PME através da simplificação e harmonização de regras, da aceleração das aprovações e da segurança das cadeias de abastecimento. Isto abre oportunidades como a redução dos obstáculos burocráticos, um acesso mais fácil ao mercado e um melhor acesso ao financiamento e à informação. No entanto, um foco excessivo nos grandes intervenientes poderá criar novos desafios. É, portanto, crucial envolver as associações de PME no processo de conceção desde o início e garantir a aplicabilidade prática do regulamento.

A meta da Agência Europeia de Defesa (EDA) de 35% de aquisições conjuntas oferece às PMEs, especialmente como fornecedoras especializadas, oportunidades de acesso a projetos transfronteiriços e volumes de contratos maiores. Ao mesmo tempo, porém, elas devem atender a altas exigências em termos de capacidade e padronização para evitar serem dominadas por integradoras de sistemas maiores. Regras claras para subcontratação, a promoção de consórcios de PMEs e o apoio à padronização e certificação são essenciais nesse sentido.

A iniciativa "Preferência Europeia" propõe dar tratamento preferencial aos fornecedores da UE em concursos públicos. As PME poderiam beneficiar-se disso, pois teriam uma vantagem sobre os concorrentes não europeus. No entanto, existe o risco de acusações de protecionismo e ambiguidades na sua implementação. A aplicação transparente e justa desta preferência é, portanto, essencial para evitar distorções da concorrência na UE.

O papel ampliado do Banco Europeu de Investimento (BEI) prevê a duplicação dos seus investimentos anuais para dois mil milhões de euros, com foco em drones, espaço, cibertecnologia e áreas afins. As PME inovadoras, particularmente em setores estratégicos, poderão, assim, obter um melhor acesso ao financiamento. No entanto, as PME devem garantir que os seus projetos sejam visíveis e viáveis, uma vez que o foco poderá estar em projetos de maior dimensão. Instrumentos de financiamento específicos para PME e serviços de apoio à candidatura poderão prestar apoio neste sentido.

Tornar o Fundo de Coesão mais flexível permite a realocação de recursos para prioridades de defesa e segurança. Isso poderia criar novas fontes de financiamento para PMEs, particularmente em certas regiões, para projetos com potencial de desenvolvimento regional. No entanto, existe o risco de que os fundos sejam desviados de outros objetivos importantes de desenvolvimento. Critérios transparentes para a utilização dos fundos e um foco em projetos de PMEs com valor acrescentado regional são, portanto, cruciais.

Por fim, esclarecer a relação entre as metas de investimento em defesa e sustentabilidade no âmbito do SFDR deve facilitar o acesso ao capital privado. Isso é particularmente benéfico para as PMEs que dependem de tecnologias de dupla utilização. No entanto, regulamentações pouco claras podem agravar os problemas existentes. Diretrizes claras e favoráveis ​​às PMEs, que reconheçam a contribuição das PMEs ligadas à defesa para a segurança, são, portanto, cruciais.

 

O papel da UE no setor da defesa: Perspectivas para as pequenas e médias empresas

Instrumentos de financiamento e medidas políticas da UE para fortalecer as PME no setor da defesa

Análise detalhada dos instrumentos existentes e planejados

A União Europeia já dispõe de uma série de instrumentos para promover a investigação, o desenvolvimento e a cooperação industrial no setor da defesa, e novas medidas, mais ambiciosas, estão previstas no âmbito do Livro Branco. Uma questão fundamental, que também será debatida no evento SME Europe, é como estes programas podem apoiar melhor as PME.

Fundo Europeu de Defesa (FED)

O Fundo Europeu de Defesa (FED) é o programa emblemático da UE para promover a cooperação transfronteiriça em matéria de investigação e desenvolvimento na área da defesa. Uma análise dos períodos de financiamento anteriores demonstra uma participação significativa das PME, frequentemente como parceiras em consórcios de maior dimensão, mas também em concursos específicos dirigidos às PME. Não obstante, as PME continuam a relatar dificuldades com o processo de candidatura, a complexidade da formação de consórcios e a carga administrativa.

Programa Europeu de Inovação em Defesa (EUDIS)

A EUDIS foi criada especificamente para promover tecnologias disruptivas e inovações de PMEs e startups no setor de defesa. O Livro Branco prevê o fortalecimento da EUDIS, destacando seu papel como catalisador fundamental para desenvolvimentos inovadores no setor de PMEs. O evento SME Europe destacará a EUDIS como uma das principais iniciativas de apoio às PMEs.

Fundo para Aceleração da Transformação da Cadeia de Suprimentos (FAST)

Esta iniciativa foi especificamente concebida para apoiar as PME na modernização e transformação das suas cadeias de abastecimento, tornando-as mais resilientes e competitivas. O financiamento adequado e os critérios de elegibilidade simplificados que respondam às necessidades específicas das PME serão cruciais para o sucesso do FAST.

Novo instrumento SAFE (Segurança e Ação para a Europa)

O instrumento SAFE, proposto no Livro Branco, com um volume potencial de até 150 mil milhões de euros em empréstimos garantidos pelo orçamento da UE aos Estados-Membros para projetos de aquisição conjunta, representa uma mudança paradigmática no financiamento da defesa na UE. A isenção de IVA para as aquisições financiadas pelo SAFE constitui um incentivo adicional.

Para as PMEs, o programa SAFE oferece principalmente acesso indireto. O SAFE foi concebido para projetos de contratação conjunta entre Estados-Membros, que normalmente envolvem grandes volumes de compras (“projetos de contratação conjunta envolvendo pelo menos dois países”). As pequenas e médias empresas raramente são os principais intervenientes ou parceiros contratuais diretos em projetos de grande porte. O seu acesso a contratos financiados pelo SAFE será, portanto, principalmente como fornecedores ou subcontratados dos consórcios maiores encarregados pela implementação do projeto pelos Estados-Membros. Isto acarreta o risco de as PMEs serem pressionadas nas negociações sobre os termos de fornecimento e preços, ou de os benefícios financeiros do SAFE, como condições de crédito favoráveis ​​para os Estados-Membros ou isenção de IVA, não lhes serem totalmente transmitidos. Cláusulas específicas nas diretrizes do SAFE ou nos programas nacionais de implementação dos Estados-Membros podem, portanto, ser necessárias para garantir uma participação justa e substancial das PMEs e para assegurar um “efeito cascata” dos benefícios financeiros ao nível das PMEs na cadeia de abastecimento.

Análise do “Regulamento Geral” planejado

O “Regulamento Omnibus”, previsto para junho de 2025, é uma das principais iniciativas legislativas do Livro Branco sobre o fortalecimento do EDIB. Seus objetivos são ambiciosos: simplificar e harmonizar as regras, acelerar os procedimentos de aprovação (por exemplo, para instalações de produção ou exportações), garantir as cadeias de suprimentos de bens críticos, facilitar o acesso ao financiamento para empresas de defesa e criar canais seguros para a troca de informações.

Este regulamento possui um enorme potencial para facilitar as operações comerciais das PME, especialmente em um contexto transfronteiriço. Se implementado de forma eficaz, poderá simplificar processos administrativos longos e dispendiosos. No entanto, existe também o risco de um regulamento mal concebido criar nova burocracia ou não atender adequadamente às necessidades e capacidades específicas das PME. É, portanto, crucial que a perspectiva das PME e das suas associações seja plenamente integrada no desenvolvimento deste regulamento desde o início. O evento SME Europe oferece uma oportunidade oportuna para os representantes das PME expressarem as suas opiniões e preocupações antes da Comissão finalizar a sua proposta.

O papel do Banco Europeu de Investimento (BEI) e a mobilização de capital privado

O Livro Branco prevê um papel significativamente reforçado para o Banco Europeu de Investimento (BEI) no financiamento da indústria de defesa europeia. O BEI deverá duplicar os seus investimentos anuais para 2 mil milhões de euros no âmbito do seu Plano de Ação para a Segurança e a Defesa, com foco em áreas como drones, espaço e cibersegurança. Além disso, os seus critérios de financiamento serão menos restritivos, permitindo o investimento numa gama mais ampla de equipamentos e tecnologias de defesa.

Em paralelo, o Livro Branco visa mobilizar capital privado. Um elemento fundamental nesse sentido é esclarecer a relação entre os investimentos em defesa e as metas de sustentabilidade previstas no Regulamento de Divulgação de Informações sobre Serviços Financeiros (SFDR). Esse esclarecimento tem como objetivo facilitar o acesso ao capital privado para empresas de defesa, especialmente as PMEs. Como já mencionado, uma abordagem diferenciada para tecnologias de dupla utilização e uma interpretação favorável às PMEs são cruciais nesse contexto.

Flexibilidade dos fundos de coesão

Outra medida de política fiscal proposta pelo Livro Branco é a realocação de fundos dos fundos de coesão da UE em favor de prioridades de defesa e segurança.

Esta medida poderá trazer oportunidades diferenciadas a nível regional, mas também riscos. Os fundos de coesão são tradicionalmente concebidos para reduzir as disparidades regionais na UE e reforçar a coesão económica, social e territorial. A relocalização de fundos para fins de defesa poderá significar que as regiões com uma base industrial de defesa existente ou potencial e os respetivos polos de PME beneficiem de investimento adicional. Isto poderá contribuir para a criação de emprego e para o fortalecimento da economia local nessas regiões. Por outro lado, esta abordagem acarreta o risco de desviar fundos de outros objetivos importantes de desenvolvimento regional, como a educação, as infraestruturas ou a proteção ambiental. Poderá também levar a uma concentração do investimento em defesa em certas regiões, enquanto outras que poderiam potencialmente contribuir, mas que não possuem o mesmo histórico industrial, sejam negligenciadas ou tenham o financiamento para outras áreas de desenvolvimento retirado. Para minimizar os efeitos negativos, serão cruciais critérios claros para a utilização dos fundos, uma atribuição transparente e uma monitorização rigorosa. Deve ser assegurado que esta flexibilidade não comprometa os objetivos originais de coesão e que as PME em todas as regiões que possam dar um contributo relevante para o reforço das capacidades de defesa europeias tenham oportunidades justas de apoio.

Financiamento da UE e mecanismos de apoio às PME no setor da defesa: Situação atual e perspectivas

Financiamento da UE e mecanismos de apoio às PME no setor da defesa: Situação atual e perspectivas

Financiamento da UE e mecanismos de apoio para PMEs no setor da defesa: Situação atual e perspectivas – Imagem: Xpert.Digital

A UE oferece diversos mecanismos de financiamento para pequenas e médias empresas (PMEs) no setor da defesa, apoiando a investigação, o desenvolvimento e a inovação, mas também apresentando desafios. O Fundo Europeu de Defesa (FED) visa promover projetos transfronteiriços de I&D na área da defesa, com concursos específicos e incentivos para PMEs. No entanto, a elevada carga administrativa, a complexidade da formação de consórcios e os longos prazos de processamento constituem obstáculos. O orçamento para o período 2021-2027 ascende a 7,9 mil milhões de euros, e existem sinergias com os programas de financiamento nacionais e com os projetos EUDIS.

O Programa Europeu de Inovação em Defesa (EUDIS) centra-se em tecnologias e inovações disruptivas, particularmente de PME e startups. Com hackathons, mentoria empresarial e financiamento de projetos-piloto, oferece iniciativas de visibilidade, mas caracteriza-se por uma forte concorrência e desafios de expansão após uma fase-piloto bem-sucedida. O EUDIS faz parte do Fundo Europeu de Defesa (FED) e de outros programas da UE, servindo frequentemente como trampolim para projetos mais amplos do FED.

O Fundo para Aceleração da Transformação da Cadeia de Abastecimento (FAST) apoia as PME na modernização e transformação das suas cadeias de abastecimento, visando fortalecer a sua resiliência e competitividade. Os detalhes exatos e o orçamento ainda estão pendentes, mas serão tomadas medidas para garantir que os critérios sejam favoráveis ​​às PME. O FAST tem como objetivo fortalecer as cadeias de abastecimento relevantes para os projetos do EVF e as iniciativas do EDIP.

Uma proposta de regulamentação abrangente visa reduzir os entraves burocráticos, acelerar os processos de aprovação e facilitar o acesso ao mercado para as PMEs. No entanto, existe o risco de criar novas complexidades se a sua implementação não for adaptada às necessidades das PMEs. Como quadro legislativo, a regulamentação não prevê um orçamento direto, mas servirá de base para outros instrumentos de apoio.

O instrumento SAFE, em fase de planejamento, permitirá a concessão de empréstimos com garantia da UE aos Estados-Membros para projetos de contratação conjunta. Embora as PMEs tenham acesso apenas indireto, por meio de suas funções como fornecedores, potenciais benefícios fiscais, como a isenção do IVA, poderão ser repassados ​​a elas. No entanto, a dependência dos contratantes principais e a garantia de condições justas continuam sendo desafios. O volume poderá chegar a € 150 bilhões e financiar projetos de grande escala com base nos preparativos do EVF ou do EDIP, além de impulsionar a demanda por PMEs apoiadas pelo FAST.

Por fim, o Banco Europeu de Investimento (BEI) desempenha um papel ampliado nos investimentos em segurança e defesa, incluindo drones, espaço e tecnologias cibernéticas. Isso pode potencialmente proporcionar às PMEs um melhor acesso a empréstimos e garantias, inclusive no setor de dupla utilização. No entanto, o foco do BEI costuma ser em projetos de maior porte, o que pode dificultar o acesso das PMEs aos serviços bancários. Mesmo assim, prevê-se que os investimentos anuais dupliquem para € 2 bilhões. Ao mesmo tempo, os projetos do EVF/EDF podem ser cofinanciados e as necessidades de capital das PMEs apoiadas pelo EUDIS ou pelo FAST podem ser atendidas.

 

Parceiros estratégicos: PMEs e inovação europeia em defesa

Inovação e novas tecnologias: PMEs como motores do setor de defesa

Foco em IA, tecnologia quântica e outras tecnologias disruptivas

A superioridade tecnológica é um fator crucial para as futuras capacidades de defesa e segurança da Europa. O Livro Branco "Preparação 2030" dá, portanto, especial ênfase à promoção e ao desenvolvimento de tecnologias-chave. A inteligência artificial (IA) e a tecnologia quântica são explicitamente priorizadas. Para orientar estrategicamente esses desenvolvimentos, a Comissão Europeia planeia apresentar um "Roteiro Europeu para as Tecnologias de Defesa".

Em paralelo, o anúncio do evento SME Europe enfatiza que as pequenas e médias empresas (PMEs) desempenham um papel fundamental no desenvolvimento de tecnologias disruptivas. Ao mesmo tempo, porém, destaca os desafios significativos que as PMEs enfrentam para acessar especialistas altamente qualificados nessas áreas específicas.

Como as PMEs podem contribuir para o desenvolvimento e implementação

As PMEs possuem pontos fortes específicos que as tornam parceiras valiosas no desenvolvimento e implementação de novas tecnologias de defesa:

  • Agilidade e especialização: em comparação com grandes empresas, as PMEs geralmente conseguem reagir mais rapidamente a novas exigências tecnológicas, implementar ideias inovadoras com maior flexibilidade e desenvolver soluções de nicho altamente especializadas, que podem ser cruciais para sistemas de defesa de maior porte.
  • Empresas derivadas e empresas criadas a partir de projetos militares: as PMEs são frequentemente pioneiras na transferência de inovações civis para o setor militar (empresas criadas a partir de projetos militares) e vice-versa, na utilização comercial dos resultados da pesquisa militar no setor civil (empresas derivadas). Essa abordagem de dupla utilização possui um considerável potencial de inovação.
  • Participação em ambientes de teste e projetos-piloto: No âmbito de iniciativas como o EUDIS e o roteiro tecnológico planeado, as PME podem participar em ambientes de teste e projetos-piloto para testar, validar e levar as suas tecnologias à maturidade de mercado em condições realistas.

Significado do “Roteiro Europeu para as Tecnologias de Defesa”

O anunciado “Roteiro Europeu para as Tecnologias de Defesa” será um instrumento fundamental para definir prioridades claras para o desenvolvimento tecnológico no setor de defesa europeu. O seu objetivo é reunir investimentos e concentrar as atividades de pesquisa e desenvolvimento nas áreas de maior importância estratégica. Para as PME, é crucial que este roteiro não só defina projetos de grande escala para os principais contratantes já estabelecidos, como também ofereça oportunidades específicas, linhas de financiamento e concursos para empresas de menor dimensão. Só assim o potencial de inovação das PME poderá ser efetivamente mobilizado para os objetivos de defesa europeus.

A ênfase simultânea na inovação disruptiva, frequentemente impulsionada por PMEs ágeis, e a necessidade de construir cadeias de suprimentos seguras e resilientes podem gerar uma tensão para as PMEs. Inovação disruptiva, por definição, significa desafiar processos, tecnologias e, às vezes, até mesmo estruturas de fornecedores estabelecidas, substituindo-os por abordagens totalmente novas. Essa é uma competência essencial das PMEs inovadoras. Por outro lado, a demanda por “cadeias de suprimentos seguras” e a necessidade de aumentar rapidamente a produção podem levar clientes do setor público e grandes integradores de sistemas a dependerem de componentes comprovados e padronizados, bem como de fornecedores estabelecidos, geralmente maiores, para minimizar os riscos relacionados à confiabilidade e à qualidade das entregas. Uma PME com uma tecnologia inovadora que ainda não seja produzida em massa ou totalmente certificada pode ter dificuldades para demonstrar a maturidade de produção, a certificação e a resiliência comprovada de suas cadeias de suprimentos, requisitos necessários para contratos de fornecimento de longo prazo e integração em sistemas de defesa complexos. Portanto, existe o risco de que o foco legítimo em “cadeias de suprimentos seguras” e escalabilidade rápida diminua a disposição de assumir os riscos (iniciais) associados a tecnologias verdadeiramente disruptivas desenvolvidas por PMEs. Os programas da UE, como o EUDIS e o FAST, bem como a concepção do roteiro tecnológico, devem, portanto, incluir mecanismos que apoiem ativamente não só a invenção e o desenvolvimento inicial em si, mas também a maturação, a certificação, a normalização e a integração de tecnologias disruptivas de PME em sistemas de defesa mais amplos e nas suas cadeias de abastecimento. Isto poderia ser conseguido, por exemplo, através de linhas de financiamento específicas para a expansão industrial de inovações de PME ou através da criação de "ambientes de teste" onde novas tecnologias possam ser testadas e qualificadas para implementação em condições simplificadas.

 

Diálogo entre a política e as PMEs: Soluções para o setor de defesa

O evento “Defesa Europeia e o envolvimento das PME”: Expectativas e implicações

Análise da agenda e dos principais intervenientes do evento

A reunião de trabalho “Defesa Europeia e a Integração das PME: Inovação e Novas Tecnologias”, marcada para 20 de maio de 2025, tem uma data estratégica e conta com uma participação expressiva, o que demonstra a sua importância como plataforma de diálogo entre a política, a indústria e as PME.

  • Espera-se que o discurso de abertura de Riho Terras, eurodeputado, presidente da Iniciativa de Defesa das PME do PPE e vice-presidente da Comissão SEDE, delineie a perspectiva política do Parlamento Europeu e do Partido Popular Europeu (PPE) sobre o papel das PME na defesa europeia e destaque a necessidade de um maior envolvimento destas.
  • O discurso de abertura de Guillaume De La Brosse, Chefe da Unidade de Política de Defesa e Inovação da Comissão Europeia, será de particular interesse. Espera-se que ele explique os planos da Comissão para a implementação do Livro Branco e descreva especificamente como as PME podem se envolver nesses planos e se beneficiar das novas iniciativas. Suas observações serão interpretadas como uma resposta direta do Executivo aos objetivos e medidas formulados no Livro Branco.
  • As declarações subsequentes dos membros do Parlamento Europeu e dos representantes do setor empresarial oferecerão uma importante oportunidade para contribuir com diversas perspectivas, experiências e demandas concretas, particularmente da perspectiva das PMEs, para o debate. Desafios específicos e soluções práticas poderão ser abordados nesse contexto.
  • A moderação de Horst Heitz, Secretário-Geral da PME Europe do PPE, garantirá que a discussão permaneça focada nas preocupações e necessidades das pequenas e médias empresas.

Que etapas e discussões específicas podem ser esperadas?

Tendo em conta a agenda e os desenvolvimentos atuais na política de defesa, espera-se que as discussões no evento se concentrem nas seguintes áreas principais:

  • Implementação prática das medidas de apoio às PME: Uma análise detalhada dos instrumentos de apoio mencionados no Livro Branco e dos já existentes, como o FED, o EUDIS e, em particular, o novo instrumento FAST. Espera-se que os representantes das PME expressem as suas expectativas relativamente à acessibilidade, à burocracia e à eficácia destes instrumentos.
  • Análises do “Regulamento Omnibus” e do instrumento SAFE: Do ponto de vista das PME, avalia-se o impacto potencial destas iniciativas de grande alcance. Esperam-se propostas concretas sobre como estes instrumentos podem ser concebidos para serem mais favoráveis ​​às PME.
  • Soluções para a escassez de competências e o acesso ao financiamento: Espera-se que os participantes discutam as melhores práticas e novas ideias sobre como as PME podem lidar com a escassez de trabalhadores qualificados e melhorar o seu acesso ao financiamento.
  • Demandas aos decisores políticos: O evento servirá como plataforma para formular demandas políticas claras às instituições da UE e aos Estados-Membros, visando uma melhoria sustentável das condições estruturais para as PME no setor da defesa.

Como o evento pode contribuir para uma melhor integração das PMEs

O evento SME Europe tem o potencial de contribuir positivamente para uma melhor integração das PME no panorama da defesa europeia em vários níveis:

  • Feedback direto: Como um dos primeiros eventos especializados após a publicação do Livro Branco, a reunião oferece uma oportunidade imediata para as PMEs e seus representantes fornecerem feedback sobre os planos da Comissão e do Parlamento. Esse feedback pode ser incorporado ao desenvolvimento contínuo das novas iniciativas de política de defesa.
  • Networking: O evento reúne PMEs com decisores políticos de alto nível, representantes de instituições da UE e potenciais parceiros da indústria, promovendo assim o desenvolvimento de redes importantes.
  • Formulação de recomendações concretas: Ao reunir a experiência e as preocupações dos participantes, podem ser desenvolvidas recomendações concretas e práticas no evento, que podem servir de base para iniciativas políticas e para a orientação estratégica das PMEs.

Os objetivos políticos de alto nível e os anúncios de fluxos de financiamento massivos, conforme delineados no Livro Branco "Readiness 2030", encontram-se com a realidade vivida pelas pequenas e médias empresas (PMEs) no evento SME Europe. Essas empresas enfrentam problemas muito específicos no dia a dia, como o acesso a pessoal qualificado, a obtenção de financiamento e a superação de obstáculos burocráticos. O Livro Branco apresenta uma visão de cima para baixo para o "ReArm Europe", munida de metas e instrumentos ambiciosos. As PMEs, por outro lado, normalmente operam de baixo para cima e precisam lidar com esses desafios operacionais concretos. O evento reúne esses dois níveis – a visão estratégica e a realidade operacional. A apresentação de Guillaume De La Brosse em nome da Comissão Europeia será avaliada em relação às reações dos representantes empresariais e às experiências compartilhadas pelas PMEs. Caso as soluções propostas no Livro Branco, como o instrumento FAST ou o Regulamento Omnibus, não atendam às necessidades reais das PMEs ou até mesmo criem novos obstáculos, isso será inevitavelmente discutido no evento. O evento serve, portanto, como um importante "teste de realidade" para as ambições do Livro Branco. Pode ajudar a emitir sinais de alerta precoce, identificar potenciais obstáculos e desenvolver medidas corretivas. O objetivo deve ser colmatar a lacuna entre a visão estratégica e a sua viabilidade operacional para as PME e garantir que a estratégia "ReArm Europe" não só inclua e promova as PME como intervenientes indispensáveis ​​no papel, mas também na prática.

 

Mão de obra qualificada, financiamento, inovação: estratégias de sucesso para PMEs no setor de defesa

Recomendações para decisores políticos e PMEs

Recomendações específicas de ação para otimizar as condições estruturais para as PMEs

Para decisores políticos (nível da UE e Estados-Membros):

  • Design do “Regulamento Geral” favorável às PMEs: É essencial a consulta prévia e contínua às associações de PMEs e às PMEs individualmente durante a elaboração do regulamento. Um “teste de PME” deve ser realizado para todas as medidas propostas, a fim de garantir que levem em consideração as necessidades e capacidades específicas das empresas menores e não resultem em burocracia desproporcional.
  • Acesso transparente e facilitado aos fundos do SAFE: É necessário criar mecanismos para garantir o acesso equitativo das PMEs aos projetos financiados pelo SAFE. Isso pode ser alcançado por meio do estabelecimento de cotas de participação de PMEs entre os principais contratantes, da promoção de consórcios liderados por PMEs para subprojetos específicos ou do financiamento direto de PMEs que contribuam de forma inovadora para as prioridades do SAFE. Os benefícios da isenção de IVA devem ser comprovadamente repassados ​​às PMEs na cadeia de suprimentos.
  • Fortalecimento do EUDIS e do FAST: Esses instrumentos específicos para PMEs devem contar com orçamentos suficientes e previsíveis. Os procedimentos de candidatura e de comunicação de informações devem ser o mais simplificados e rápidos possível. O foco deve ser a promoção da inovação genuína e o rápido lançamento de novas tecnologias no mercado.
  • Programas específicos para recrutamento e formação de trabalhadores qualificados: Em cooperação com instituições de ensino, associações industriais e agências de desenvolvimento regional, devem ser criados programas específicos para formar e aprimorar a qualificação de trabalhadores para atender às necessidades das PMEs no setor de defesa, particularmente em áreas de alta tecnologia como IA, tecnologia quântica e cibersegurança. Isso pode incluir bolsas de estudo, programas de dupla titulação e módulos de treinamento especializado.
  • Implementação rápida e transparente do esclarecimento do SFDR: O esclarecimento anunciado sobre o tratamento dos investimentos em defesa ao abrigo do SFDR deve ser rápido e fornecer orientações claras e práticas para investidores e instituições financeiras. Deve ser dada especial atenção a garantir que as PME e as empresas com tecnologias de dupla utilização não sejam prejudicadas, mas sim que o seu contributo para a segurança europeia seja reconhecido. Poderão ser necessárias orientações específicas para investimentos de dupla utilização.
  • Estabelecer um ponto de contato central: Para as PMEs que procuram estabelecer-se ou expandir as suas atividades no complexo setor da defesa, um centro central de aconselhamento e informação a nível da UE ou nacional seria útil. Este centro poderia oferecer apoio na consulta de programas de financiamento, na procura de parceiros e na resolução de questões regulamentares.

Conselhos estratégicos para PMEs sobre como aproveitar novas oportunidades

  • Informação e preparação proativas: as PME devem informar-se de forma ativa e antecipada sobre os novos instrumentos de financiamento (FED, EUDIS, FAST, oportunidades de participação no SAFE), o Regulamento Omnibus planeado e o roteiro tecnológico, adaptando as suas estratégias em conformidade.
  • Trabalho em rede e consórcios: A formação de consórcios e redes nacionais e transfronteiriças com outras PMEs, instituições de pesquisa e também empresas maiores é muitas vezes essencial para poder participar em concursos de maior dimensão e atingir a massa crítica necessária.
  • Foco na especialização e inovação: as PMEs devem alavancar seus pontos fortes em nichos de mercado e no desenvolvimento de soluções inovadoras nas áreas de capacidade e tecnologia priorizadas pelo White Paper (por exemplo, IA, computação quântica, cibersegurança, drones, componentes especializados).
  • Investir em conhecimento especializado: Construir e desenvolver o conhecimento especializado interno necessário para áreas futuras como IA, tecnologia quântica e cibersegurança é crucial. Colaborações com universidades e instituições de pesquisa podem apoiar esse processo.
  • Comunicação clara da contribuição de valor: as PME devem comunicar com confiança a sua contribuição específica para a segurança europeia, a soberania tecnológica e a base industrial. Isto é importante tanto para potenciais clientes como para financiadores.
  • Utilização de plataformas para defesa de interesses: Eventos como o SME Europe Event devem ser utilizados ativamente para estabelecer contatos com decisores políticos e outras partes interessadas, para expressar as próprias preocupações e para participar na definição das condições estruturais.

Adequado para:

Rumo a uma União Europeia da Defesa resiliente e inovadora, incluindo as PME

Resumo das principais conclusões

A análise do “Livro Branco Conjunto sobre a Defesa Europeia – Prontidão 2030” e suas implicações para as pequenas e médias empresas do setor de defesa europeu leva a diversas conclusões importantes:

  • O Livro Branco representa uma mudança paradigmática inegável na política de defesa europeia. Diante de um ambiente estratégico em rápida deterioração, visa um aumento massivo da prontidão e dos gastos com defesa na Europa. Isso tem implicações financeiras, industriais e tecnológicas de grande alcance.
  • As pequenas e médias empresas (PMEs) são explicitamente reconhecidas no Livro Branco e nos debates políticos que o acompanham como inovadoras e componentes importantes da Base Industrial Europeia da Defesa (BIED). A sua agilidade, especialização e capacidade de desenvolver tecnologias disruptivas são consideradas essenciais para a competitividade futura da Europa.
  • Apesar desse reconhecimento, as PMEs continuam a enfrentar desafios significativos, particularmente no que diz respeito ao acesso a financiamento, mão de obra qualificada e mercados de compras complexos. Esses obstáculos devem ser abordados ativamente para que as PMEs possam atingir todo o seu potencial.
  • Os novos instrumentos da UE descritos no Livro Branco (como o SAFE e o FAST), o Regulamento Omnibus planeado e o papel reforçado do BEI oferecem oportunidades significativas para as PME. Contudo, ao mesmo tempo, também acarretam riscos de marginalização não intencional, especialmente se as medidas forem concebidas principalmente para grandes integradores de sistemas ou se as necessidades específicas das PME não forem suficientemente consideradas na sua conceção.

O futuro papel das PME na defesa europeia

A integração bem-sucedida das pequenas e médias empresas (PMEs) não é uma questão secundária na agenda de defesa europeia, mas sim um pré-requisito fundamental para o sucesso da estratégia “Rearming Europe” e para a construção de uma União Europeia de Defesa resiliente, inovadora e competitiva. As PMEs não são meras fornecedoras de componentes, mas frequentemente as sementes dos avanços tecnológicos de que a Europa precisa para atingir os seus objetivos de política de segurança e manter a sua soberania tecnológica.

Um diálogo contínuo e estruturado entre decisores políticos a nível da UE e nacional, grandes empresas e PME é crucial para o sucesso. Eventos como a próxima reunião de trabalho da SME Europe desempenham um papel importante neste sentido, proporcionando uma plataforma para a troca de ideias, o feedback e o desenvolvimento conjunto de soluções.

O fortalecimento das PMEs no setor da defesa não só aumentará a segurança da Europa, como também, conforme sugere o Livro Branco na sua conclusão, terá efeitos positivos indiretos na inovação, no crescimento económico e na criação de empregos de alta qualidade em toda a União Europeia. O caminho para uma verdadeira União Europeia da Defesa, assente na força e na unidade, passa pelo envolvimento e apoio consistentes dos seus intervenientes mais ágeis e inovadores: as pequenas e médias empresas. Os próximos meses e anos mostrarão em que medida os planos ambiciosos do Livro Branco podem ser traduzidos em medidas concretas e eficazes para as PMEs.

 

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A economia global está atualmente passando por uma mudança fundamental, uma época quebrada que sacode as pedras angulares da logística global. A era da hiper-globalização, que foi caracterizada pela luta inabalável pela máxima eficiência e pelo princípio "just-in-time", dá lugar a uma nova realidade. Isso é caracterizado por profundas quebras estruturais, mudanças geopolíticas e fragmentação política econômica progressiva. O planejamento de mercados internacionais e cadeias de suprimentos, que antes foi assumido, é claro, se dissolve e é substituído por uma fase de crescente incerteza.

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